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Presidente da CBF terá seu destino debatido no mês que vem em reunião da Conmebol

Coronel Nunes foi alvo de controvérsias durante sua estadia na Rússia para a Copa do Mundo

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2018 | 12h10

O destino do presidente da CBF, coronel Antonio Nunes, será debatido já no próximo mês. Alvo de controvérsias durante a Copa do Mundo da Rússia, o dirigente será o foco da próxima reunião do Conselho da Conmebol, marcada para agosto.

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A entidade sul-americana e os demais presidentes das confederações do continente querem avaliar uma punição contra o brasileiro, depois de o cartola ter rompido um acordo do bloco da América do Sul no que se refere ao voto para a escolha da sede da Copa de 2026. Mas ainda pesa sobre ele o fato de ter acusado a Conmebol de ter lhe imposto um "voto de cabresto", o que a entidade nega. Nunes fez a acusação em declarações dadas à reportagem do Estado durante a disputa deste Mundial.

Suas declarações e seu voto poderiam levar o órgão máximo do futebol sul-americano a abrir um processo disciplinar, enquanto federações como a Associação de Futebol Argentino (AFA) chegam a falar nos bastidores em um afastamento do brasileiro.

Um punição na Conmebol, porém, poderá reabrir o debate sobre sua permanência na CBF. O grupo ligado a Marco Polo Del Nero quer sua continuidade até abril de 2019, como forma de garantir que Rogério Caboclo possa assumir. Mas, nos bastidores, federações estaduais já estudam a possibilidade de formar um colegiado, exigir seu afastamento e pedir novas eleições.

 

Isolado pela Fifa e recluso pelo constrangimento, o presidente da CBF deixará Moscou nos próximos dias, depois de praticamente um mês em que apenas saía do hotel de luxo em que estava hospedado para ir aos cinco jogos do Brasil neste Mundial. Ele termina a Copa com um legado negativo para o futebol brasileiro, alvo de chacotas por parte dos dirigentes estrangeiros e questionamentos sobre a seriedade da instituição.

A estadia de luxo do cartola na Rússia beirou o desastre, com uma repercussão imediata para a imagem do País. Nos primeiros dias de sua viagem, ainda na primeira metade de junho, ele indicou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que já deveria ir "preparando a taça" para o Brasil. Seu sonho era de ser o presidente da CBF na entrega da Copa, uma imagem que coroaria sua carreira no futebol, depois de anos no comando da federação do Pará.

Mas os constrangimentos apenas foram aumentando ao longo dos dias. Nunes fora colocado na presidência da CBF por Marco Polo del Nero, presidente banido do futebol e que, com a figura fraca, poderia manter seu controle sobre a entidade. O preço a ser pago, porém, foi revelado em Moscou.

No dia 13 de junho, ao votar pela escolha da sede da Copa do Mundo de 2026, Nunes rompeu um acordo que existia com a Conmebol e deu seu apoio ao Marrocos, e não aos Estados Unidos. Ele, porém, pensava que o voto era secreto e levou um susto ao descobrir que todos sabiam para quem havia ido seu apoio.

A atitude abriu uma crise, com a Conmebol exigindo que o assunto fosse alvo de um debate e até ameaçando abrir um processo na Comissão de Ética. Seu voto, porém, levantou dúvidas se não teria sido uma ordem de Del Nero, na esperança de punir os EUA pelo processo criminal que existe contra ele. Para os demais cartolas, Nunes passou a mostrar uma mensagem que recebeu no telefone, Nela, Del Nero parabenizaria o dirigente pelo seu voto.

BRIGA EM RESTAURANTE

Poucos dias depois, ele se envolveria numa briga um restaurante. Um torcedor, para provocar, se aproximou de sua mesa e o teria acusado de estar "mamando" na CBF. A confusão acabou com um copo quebrado pelo assessor do presidente, Gilberto Batista, na cabeça do torcedor. O assistente foi imediatamente enviado ao Brasil.

O caos, porém, levou Nunes a abandonar todos os eventos oficiais da Conmebol, na qual é conselheiro. A CBF ainda criou uma espécie de cordão de isolamento, com assessores e mesmo dirigentes encarregados de não permitir que a imprensa se aproximasse do cartola. O cordão de isolamento, porém, também servia para que Nunes fosse monitorado e que não voltasse a cometer gafes na Fifa.

Por semanas, suas únicas saídas eram para demorados cafés da manhã num dos hotéis mais luxuosos da Europa, ou passar horas nos sofás dos bares do local, conversando apenas com seus familiares e assistentes. Dirigentes ironizavam como o coronel repetia sua surpresa diária com o fato de o sol se levantar cedo no verão russo.

Não houve encontro com outros dirigentes internacionais muito menos com a Fifa, por quase 30 dias. A única vez que esteve presente numa reunião foi com os presidentes das 26 federações estaduais brasileiras, o que poderia ter sido feito no Brasil.

 

Nos jogos, o constrangimento continuava. A Fifa encontrou brechas em seu protocolo para colocar o brasileiro longe de Infantino, que chegou a sugerir seu afastamento. Numa das partidas, Nunes esteve sentado a cinco cadeiras de Dmitry Medvedev, o primeiro-ministro russo. Mas afirmou "desconhecer" mais tarde quem era.

Na última sexta-feira, ao voltar para Moscou do jogo contra a Bélgica já pela madrugada, Nunes misturava uma exaustão a um bronca ao ver a reportagem no lobby do hotel. Retrucou com violência diante de uma pergunta se Tite continuaria, enquanto seus assistentes insistiam que ele estava "muito triste".

Neste sábado, ele pediu para antecipar seu retorno ao Brasil, levando seus assessores a buscar passagens para os próximos dias. Ele, porém, passou grande parte do dia em seu quarto e, quando desceu para fazer "um passeio", se manteve em total silêncio.

Apesar de comandar oficialmente uma das maiores entidades esportivas do mundo, o presidente da CBF estava amordaçado pelo próprio órgão que o colocou nessa situação.

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