Juan Medina / Reuters
Juan Medina / Reuters

Presidente da Colômbia diz apoiar investigação sobre paradeiro do pai de Quintero

Familiar do jogador do River Plate desapareceu há 25 anos; novo chefe do exército do país é acusado de ter envolvimento no caso

Redação, Estadão Conteúdo

01 de janeiro de 2020 | 21h28

O presidente da Colômbia, Iván Duque, prometeu intervir para esclarecer o suposto desaparecimento forçado do pai de Juan Fernando Quintero, estrela da seleção colombiana e do River Plate. O jogador de 26 anos e o mandatário discutiram o caso no final de 2019.

Quintero exigiu saber o paradeiro de seu pai, que não se tem rastros há quase 25 anos, e expressou o desejo de falar com um general que assumiu como novo comandante do Exército Nacional na segunda-feira e a quem seus parentes acusam de envolvimento no suposto desaparecimento.

"Tenho o direito de filho, de saber o que aconteceu com meu pai e é isso que quero saber, por que sofri e vi minha família sofrer problemas sociológicos e mentais e pela ausência de meu pai há sempre o vazio e sinto muito todos os dias", escreveu Quintero em seu perfil no Twitter. "Eu só quero saber o que aconteceu."

Quintero colocou sua posição nas redes sociais na sequência da posse do general Eduardo Enrique Zapaitero, cuja designação foi criticada por seus parentes. "Gostaria de ser cauteloso nisso, já falei com ele (Quintero), mas não quero fazer dessa conversa um diálogo político", disse Duque à Blu Radio da Colômbia. "Conversei com ele e disse que ele terá todo o apoio do governo para que essa situação que foi dolorosa para ele e sua família possa ser esclarecida".

Membros da família de Quintero revelaram que em 2018 se encontraram com Zapateiro, que lhes prometeu uma reunião que nunca aconteceu. "Junto-me ao sentimento e à dor da família de Quintero. Eu respeito Juan Fernando. É nosso ídolo e as portas do meu comando no Exército estarão abertas para você e sua família", disse Zapateiro durante o ato em que tomou posse.

Quintero tinha um ano e meio quando desapareceu seu pai, que chegou a atuar nas divisões de base do Atlético Nacional e do Deportivo Itagüí. Carlos Quintero, tio de Juan Quintero e irmão do desaparecido, informou que em 1º de março de 1995 soube que Jaime Enrique Quintero havia sido recrutado para prestar serviço militar. Logo depois, a família perdeu seu rastro.

Originalmente, seria conduzido à IV Brigada de Medellín e depois à XVII Brigada localizada em Carepa, uma cidade no departamento noroeste de Antioquia. Segundo versões mencionadas pela família, Zapateiro e o pai do jogador tiveram uma briga.

Depois que Carlos Quintero se referiu ao desaparecimento de seu irmão, o Exército disse que "tanto o Tribunal Administrativo de Antioquia quanto o Procurador Delegado de Defesa dos Direitos Humanos, em decisões judiciais devidamente executadas, concluirá que pelo desaparecimento de Jaime Enrique Quintero Cano não há prova de responsabilidade contra o comandante da Companhia de Instrução Eduardo Enrique Zapateiro Altamiranda." Os veredictos são de 30 de março de 2001.

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