Boris Roessler/AFP
Boris Roessler/AFP

Presidente da Federação Alemã de Futebol renuncia após aceitar relógio de luxo

Reinhard Grindel admitiu ter aceito 'agrado' no valor de 6 mil euros (cerca de R$ 25,9 mil) do vice-presidente da Uefa

Redação, Estadão Conteúdo

02 de abril de 2019 | 11h42

A Alemanha vive mais um escândalo no futebol. Nesta terça-feira, o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão), Reinhard Grindel, renunciou ao seu cargo com um pedido público de desculpas por ter aceitado um relógio de luxo oferecido pelo ucraniano Hryhoriy Surkis, vice-presidente da Uefa. A sua saída acontece depois de acusações de que o dirigente teria recebido receitas suspeitas de uma afiliada da DFB em benefício próprio, mas também devido a um descontentamento geral com a sua liderança à frente da entidade.

"Todos que me conhecem sabem que não sou ganancioso. O preço do relógio era de 6 mil euros (cerca de R$ 25,9 mil). Não sabia a marca e o seu valor quando ganhei. O senhor Surkis não tinha a intenção de usar isso com a DFB. Ele nunca me pediu qualquer apoio. Foi um presente particular sem qualquer relação com a federação ucraniana ou empresas comerciais. Fui apenas educado em aceitar. Não posso explicar por que não agi logo para esclarecer isso", disse Grindel, em entrevista coletiva nesta terça-feira, em Berlim.

"Estou atordoado por esse erro, renuncio como presidente da DFB e peço desculpas por meu comportamento menos do que exemplar ao aceitar o relógio", completou o dirigente alemão. A DFB já informou que os vice-presidentes Rainer Koch e Reinhard Rauball vão assumir a gestão interna da entidade até setembro deste ano. A Alemanha foi escolhida sede da Eurocopa de 2024, depois da edição itinerante do ano que vem, com fase final na Inglaterra.

Nos últimos dias, a revista alemã Der Spiegel revelou que Grindel tinha recebido também 78 mil euros (cerca de R$ 337 mil) antes de iniciar o cargo na DFB, na qualidade de membro de um conselho próximo da federação, além do relógio. O agora ex-presidente também é membro do Comitê Executivo da Uefa e do Conselho da Fifa.

Grindel havia chegado à presidência da DFB em abril de 2016 para substituir Wolfgang Niersbach, que renunciou depois de ter sido acusado de manipulação de votos para que a Alemanha ganhasse a eleição para ser a sede da Copa do Mundo de 2006.

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