Reprodução/Youtube
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Presidente da Federação Haitiana é acusado de abuso sexual de menores, segundo jornal

No cargo desde 2000, "Dadou" teria coagido inúmeras jovens do time feminino com ameaças de demissão

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 13h20

O presidente da Federação Haitiana de Futebol (FHF, da sigla em francês), Yves Jean-Bart, está sendo acusado de abusar sexualmente de atletas femininas menores de idade no centro de treinamento da seleção do país. As informações são do jornal britânico The Guardian.

O dirigente, conhecido pelo apelido de "Dadou", está no cargo desde 2000 e nega as acusações de que tenha coagido várias jogadoras do centro de treinamento nacional, localizado em Croix-des-Bouquets, de fazerem atos sexuais. As alegações estimam que os crimes têm ocorrido por, pelo menos, os últimos cinco anos.

As queixas que têm sido feitas ao The Guardian partem de inúmeras pessoas envolvidas nessas instalações, que incluem vítimas e seus familiares.

"Tem uma moça que trabalha lá que põe pressão nas meninas para fazerem sexo com Dadou", declarou uma vítima ao periódico do Reino Unido. "Ele vai ver uma garota que é atraente e então manda essa moça para dizer para a menina que ela vai ser expulsa do centro. Ela começa a chorar, então a mulher diz: 'A única maneira para resolver é você falando com Dadou'. Neste momento, a jovem menina não tem escolha a não ser o abuso sexual."

O presidente da entidade respondeu dizendo que "nunca houve nenhuma queixa contra a federação, nem contra a equipe que trabalha na academia, nem contra a minha pessoa". E então completou: "Este tipo de prática de abuso sexual é quase impossível em nosso centro de treinamento dadas as estruturas físicas, os princípios de educação e a consciência contínua que colocamos em prática."

Jean-Bart diz ainda que as alegações foram "claramente planejadas para desestabilizar a FHF, a imagem do presidente e sua família". De acordo com fonte do The Guardian no Haiti, diversas jogadoras que agora deixaram as instalações foram convencidas a fazerem sexo com o dirigente, incluindo uma que foi forçada a realizar um aborto.

"Ela foi colocada sob pressão para não falar sobre", disse uma jogadora do centro de treinamento. "Outra de nossas melhores jovens jogadoras perdeu sua virgindade com Dadou quando ela tinha 17 anos em 2018 e também teve de abortar", declarou.

"Essas garotas que vivem no centro da Fifa... É uma vergonha, pois elas querem jogar pelo país, mas se elas falarem sobre essa situação, elas serão demitidas. Elas são reféns", finalizou.

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