Jean-Christophe Bott/AP
Jean-Christophe Bott/AP

Presidente da Uefa avisa: o domínio europeu vai aumentar no futebol

Aleksander Ceferin aponta divisão das receitas obtidas como diferencial: 'Damos dinheiro para que as associações possam se desenvolver'

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 06h25

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, avisa: o domínio europeu no futebol poderá aumentar ainda mais nos próximos anos. Em entrevista exclusiva ao Estado, o cartola máximo do futebol europeu admite que ele não pode ser creditado como o responsável pelo sucesso, já que se trata de um projeto com 20 anos de existência, que está refletindo na Copa do Mundo de 2018.

+ Europa coloniza o futebol e deixa os outros continentes para trás

+ Com proposta de padronização nas seleções, CBF aguarda por 'sim' de Tite

Com Brasil e Uruguai eliminados, Copa vai para a Europa pela quarta vez seguida

Mas, sua previsão, é de que a diferença entre a Europa e o restante dos continentes continua sendo ainda maior. "Nossa forma de trabalhar é específica", explicou. "Geramos muito dinheiro. Mas distribuímos 85% para as associações", afirmou. "Temos ajudado os treinadores, mandamos ex-jogadores como conselheiros."

"Mas precisamos entender que não pagamos dinheiro para as associações. Damos dinheiro para que as associações possam se desenvolver. E o dinheiro apenas é enviado depois que eles provam que realizaram o trabalho", disse. "Trabalhamos para uma boa administração", comemorou.

"Com infraestrutura, treinadores e as condições cada vez melhores, eu acredito que, se continuarmos assim, a diferença será cada vez maior em comparação às demais regiões", constatou.

Com quatro seleções nas semifinais da Copa de 2018, a Europa se consolidou neste ano como o epicentro do esporte. Mas o domínio inédito dos europeus não ocorre apenas no torneio mais importante de seleções. Eles também dominam o Mundial Sub-20, Sub 17 e os torneios de clubes, além das finanças do esporte e até mesmo o calendário internacional.

Os dados não deixam dúvidas de quem hoje domina o esporte. Se um time sul-americano vencer a Copa de 2022, terão passados 20 anos da última conquista de fora da Europa, do Brasil em 2002.

 

Itália em 2006, Espanha em 2010, Alemanha em 2014 e outro europeu em 2018 estabelecerão o período mais longo da história das Copas sem a conquista de um sul-americano.

O futebol de base, porém, também tem visto um forte domínio europeu, o que aponta que as conquistas podem continuar no nível profissional. No Mundial sub-20, é a Europa quem manda hoje. Em 2013, a França bateu o Uruguai na final, seguido pela conquista da Sérvia superando o Brasil em 2015 e a Inglaterra vencendo a Venezuela em 2017.

Entre os clubes, o domínio é ainda maior. Nos últimos dez anos, todas as edições do Mundial foram vencidas pelos europeus, salvo em 2012 quando o Corinthians bateu o Chelsea.  Centro do poder e do dinheiro do futebol internacional, a Europa forneceu 75% dos jogadores que estavam na Copa do Mundo em 2018, um número recorde.

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.