Albert Gea/Reuters
Albert Gea/Reuters

Presidente do Barcelona, Rosell tem forte ligação com Ricardo Teixeira

Dirigente fez fortuna após entrar no ramo do marketing esportivo

MARCIO DOLZAN, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2013 | 18h07

SÃO PAULO - Dono de empresas que receberam parte do cachê de jogos do Brasil, como revelou reportagem do Estado desta quinta-feira, Sandro Rosell é um dos homens mais influentes do mundo do futebol. De origem humilde, atualmente a fortuna de sua família é estimada em mais de 250 milhões de euros.

Sua ascensão no mundo esportivo iniciou em 1992, com os Jogos Olímpicos de Barcelona. Representante no Oriente Médio de uma importante marca de perfumes da Espanha, Rosell foi escalado pela empresa para atuar na área de patrocínios internacionais, aproximando-se de gigantes como Coca-Cola, Sports Illustrated e NBC. Através da ISL - empresa de marketing esportivo que mais tarde seria acusada de lavagem de dinheiro, inclusive no País -, Rosell também passou a ter acesso a importantes organismos internacionais ligados ao esporte, incluindo o Comitê Olímpico.

Depois da Olimpíada, passou a atuar quase que exclusivamente com o futebol. Após negativas de Adidas e Reebok, costurou com a Nike o patrocínio da Liga Espanhola. E foi um dos grandes responsáveis em transformar a empresa norte-americana em patrocinadora também do Barcelona.

Com o sucesso na empreitada, em 1995, Rosell, agora homem de negócios da própria Nike, mudou-se para o Brasil com o intuito de promover a marca esportiva no país do futebol. Fez amizade com Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, e firmou contrato de patrocínio com a entidade no ano seguinte, com duração de dez anos.

A negociação, inicialmente, foi obscura. Os valores só seriam revelados anos mais tarde - de acordo com relatório da CPI da Nike, produzido em junho de 2001, a empresa norte-americana investiria US$ 160 milhões em dinheiro e mais US$ 150 milhões em "marketing esportivo", além de pagar US$ 10 milhões a Umbro pela rescisão do contrato que a empresa inglesa tinha com a seleção.

Vencido o prazo, o contrato da CBF - ainda dirigida por Teixeira - com a Nike foi renovado. O atual tem validade até 2018.

Sandro Rosell permaneceu no Brasil até 2002, pouco depois de a seleção conquistar o penta na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul. Com o êxito dos negócios por aqui, mudou-se para Portland, nos Estados Unidos, onde assumiu o cargo de diretor global de esportes da Nike. Morou pouco tempo naquele país, preferindo retornar para Barcelona e ficar junto da família. Lá, fundou a Bonus Sport Management (BSM), empresa especializada em marketing esportivo e atualmente seu principal negócio.

Em 2003, com a ascensão de Joan Laporta à presidência do Barcelona, Rosell acabou assumindo a vice-presidência do clube. Saiu dois anos mais tarde, retornando como presidente em 2010 após conquistar 35.021 votos, na maior votação da história do clube.

Além da BSM, Rosell também possui sociedade em outras empresas. Em uma delas, a Habitat Brasil Empreendimentos Imobiliários, ele é sócio da mulher de Ricardo Teixeira. Outra de suas empresas, a Ailanto Marketing, foi investigada por suposto desvio de recursos públicos no amistoso entre Brasil e Portugal, realizado em Brasília, em 2008.

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