Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Presidente do Boa teve cobrança das filhas ao contratar Bruno

Rone Moraes da Costa se explicou à família por ter acertado com goleiro

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2017 | 07h00

A assinatura que está no contrato de dois anos do goleiro Bruno Fernandes com o Boa Esporte é do empresário Rone Moraes da Costa. Ele é o presidente e administra o clube ao lado de dois irmãos, Rildo e Roberto. Rone sugeriu e outros manos concordaram com a chegada de Bruno. A negociação durou apenas dois dias. 

Mesmo com a perda de patrocinadores – restou apenas o convênio com a prefeitura de Varginha e a cota da transmissão da Série B do Campeonato Brasileiro –, Rone está convicto de que está fazendo a coisa certa ao “dar uma nova oportunidade” – ele sempre repete essas palavras – para ao novo contratado. 

Bruno foi condenado em primeira instância a 22 anos de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, mas foi libertado pelo Superior Tribunal Federal após cumprir seis anos de prisão. 

“É nossa obrigação social ajudar o Bruno. Poucos clubes teriam a coragem que o Boa está tendo. Tenho a consciência tranquila. Ele merece uma nova chance. Com a ressocialização, ele pode dar continuidade à sua carreira. Nós temos o princípio de ajudar o próximo. É um compromisso que já vem de alguns anos no clube”, afirma. 

Ressocialização é outra palavra comum no discurso do dirigente de 49 anos. Em 2014, muito antes da contratação de Bruno, o Boa Esporte assinou um convênio com a prefeitura de Varginha para utilizar 60 detentos na reforma do estádio Dilzon Luiz de Melo, o Melão, onde o time manda seus jogos. Os detentos receberam 3/4 do salário mínimo. Após a reforma, entre cinco e dez detentos fazem obras de manutenção no estádio até hoje. 

Rone teve de explicar essa história até dentro de casa. Divorciado e pai de duas filhas adolescentes, uma de 16 e outra de 19 anos, deu satisfações sobre a contratação de um condenado por um crime contra a mulher. 

“O que o Bruno fez não é o certo, mas ele tem direito de voltar à sociedade. E ele precisa fazer uma coisa, que é o futebol. Eu tenho e tive de explicar isso para muitas outras pessoas, amigos e familiares”, disse o presidente do Boa.

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