Isabella Bonotto/AFP
Isabella Bonotto/AFP

Presidente do Brescia ameaça: 'Se nos obrigarem a jogar, tiro time do campeonato'

Clube italiano não poupou críticas à Uefa, que decidiu manter a disputa dos torneios nacionais

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 09h19

O presidente do Brescia, Massimo Cellino, assegurou nesta quinta-feira que vai retirar o seu clube da competição caso o Campeonato Italiano, suspenso devido à pandemia do novo coronavírus, seja retomado. Ele teceu duras críticas à Uefa após a reunião realizada na quarta com as 55 federações que fazem parte da entidade, na qual ficou definido que os torneios nacionais precisam ser concluídos.

"Se nos obrigarem a jogar, estou disposto a retirar a equipe do campeonato e perder, de imediato, todos os jogos. Farei isso em respeito aos cidadãos de Brescia e os seus entes queridos que morreram", disse Cellino, em entrevista ao jornal italiano Gazzetta Dello Sport.

O dirigente, que reafirmou que o Campeonato Italiano não deve ser retomado nesta temporada, negou que a tomada de posição tenha a ver com o fato de o Brescia ser o 20.º e último colocado na tabela de classificação, dentro da zona de rebaixamento.

"É indiferente ser rebaixado, até agora merecíamos (a queda) e tenho as minhas responsabilidades", acrescentou o presidente do clube, que fica em uma cidade que é um dos principais focos do novo coronavírus na Itália, o segundo país com mais casos de pessoas infectadas (mais de 110 mil) e o primeiro com mais mortos (mais de 13 mil).

"Falo por Brescia. Temos caminhões que transportam mortos, estamos no centro da pandemia. Os jogadores já estão 45 dias parados, é preciso um mês para que fiquem em forma novamente. Querem que eles se lesionem?", questionou o presidente do clube.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infectou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil. Dos casos de infecção, pelo menos 176.500 são considerados curados.

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