Presidente do Fla pede mudanças a Lula

Em audiência no Palácio do Planalto, nesta terça-feira, o novo presidente do Flamengo, Márcio Braga, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudanças na "hierarquização" do futebol. Traduzindo: redução dos poderes do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.Torcedor do Corinthians e do Vasco, no Rio de Janeiro, Lula posou com um boné e os dois uniformes do Flamengo, que lidera a lista de devedores do INSS, com um passivo de R$ 37,4 milhões. Márcio Braga pediu também a renegociação de dívidas dos clubes com a Previdência, mudanças nas legislações trabalhista e fiscal e incentivos para esportes olímpicos.Ao deixar o gabinete de Lula, o presidente do Flamengo atacou e disse que o problema do presidente da CBF é um "caso de polícia". A uma indagação se o governo teria condições de limitar a atuação de Ricardo Teixeira, sobrevivente de duas comissões parlamentares de inquérito no Congresso em 2001, Márcio Braga afirmou que isso vai depender de mudanças na legislação."Agora, o problema do presidente da CBF é um problema de polícia. Lá no Rio de Janeiro dizem que tem dez inquéritos criminais tramitando na Polícia Federal provocados pelo Ministério Público. Então, é uma questão do Poder Judiciário", disse o dirigente.Por causa da dívida com o INSS, o Flamengo foi excluído do Refis e deixou de receber verbas de patrocínio da Petrobras nos meses de novembro e dezembro. Sem uma Certidão Negativa de Débito (CND), concedido pela Receita Federal, o clube não poderá renovar o contrato com a empresa estatal, que garantiria cerca R$ 1 milhão por mês. Mas Márcio Braga garantiu que vai resolver o problema. Ele não informou de onde vai obter o dinheiro. "O dinheiro não está só no banco ou no bolso, às vezes o dinheiro está aqui", disse apontando para a cabeça.Márcio Braga contou que Lula pediu mais camisas do Flamengo para jogar futebol com amigos nos finais de semana na residência da Granja do Torto. O presidente também teria demonstrado empenho em fazer mudanças na legislação trabalhista. "Um contrato de trabalho de um metalúrgico que trabalha na Volkswagen não pode ser o mesmo de um atleta de futebol", teria dito Lula, conforme relato do dirigente flamenguista.

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