Presidente do Fla se complica na CPI

Toda vez que um dirigente do Flamengo vai depor na CPI do Futebol, ao invés de explicar as dúvidas dos senadores, acaba lançando mais nebulosidade nas negociações do clube. Não foi diferente com o presidente Edmundo Santos Silva hoje. A apresentação de uma fita gravada com uma entrevista do ex-vice-presidente do Flamengo, Luiz Carlos Medeiros, o Cacau, responsável pela compra do jogador Petkovic, do clube italiano Venezia, reforçou as suspeitas dos senadores de que o pagamento de US$ 1,5 milhão para a empresa Picoline Corporation, que teria direito sobre a imagem do jogador, foi uma saída para burlar o Fisco e a Previdência. O relator da CPI, Geraldo Althoff (PFL-SC), vai enviar uma cópia da fita para a Polícia Federal e cogita pedir uma acareação entre Petkovic e Cacau Medeiros, por divergência de declarações. Em seu depoimento à PF, Petkovic disse que nunca tinha ouvido falar da Picoline e que a empresa não detinha os direitos sobre a sua imagem. Garantiu ainda que não recebeu nada dos US$ 1,5 milhão pagos durante a transação. O passe do jogador custou, no total, US$ 6,5 milhões - US$ 4,5 milhões para o Venezia, US$ 1,5 milhão para a Picoline e US$ 450 mil para a Lake Blue. A versão de Cacau é diferente. De acordo com ele, o empresário do jogador, Jorge Carreteiro, teria cobrado, na assinatura do contrato com o Flamengo, o pagamento dos US$ 1,5 milhão, relativos ao direito de imagem e aos 15% da compra do passe. "O desejo do Pet era vir morar no Brasil, tanto é que ele trouxe o pai, a mãe, todo mundo". Como o craque sérvio sempre disse que Carreteiro tinha total liberdade para negociar em nome dele, Cacau acha difícil o jogador desconhecer a existência destes US$ 1,5 milhão. Cacau confirmou também que os contratos de direitos de imagem, apesar de serem legais, são uma alternativa para burlar o pagamento dos 27,5% do Imposto de Renda da pessoa física e dos 20% do imposto previdenciário. E criticou a inexistência de documentos que atestem esta transferência de US$ 1,5 milhão. "Como esse dinheiro sai e não tem documento nenhum? Bastou o documento bancário? É um questionamento." Outro ponto durante o depoimento de Edmundo que complicou a vida do presidente do Flamengo foi o fechamento da conta do clube no exterior. No depoimento de 30 de agosto deste ano, Edmundo desconhecia a existência da conta nas Ilhas Grand Caymann. Hoje, não apenas lembrou dela como afirmou que fechou-a em maio de 1999. O saldo de US$ 750 mil dólares, existente em 1998, foi transferido para a empresa Pradner, por conta de um depósito indevido. É a primeira vez que o nome da Pradner aparece no circuito. Além disso, Edmundo não conseguiu explicar porque o depósito de US$ 750 mil era indevido, nem quanto tempo esses recursos ficaram na conta do Flamengo. O senador Althoff deu um prazo de 48 horas para que o presidente do Flamengo enviasse os extratos da conta e a documentação de encerramento da mesma. "É estranho dizer que o depósito era indevido. Indevida era a conta", arrematou o presidente da CPI, senador Álvaro Dias (PDT-PR).

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 18h19

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