Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Presidente do Lyon diz que contratação de Neymar desequilibra o futebol

Dirigente pede intervenção do governo francês

EFE, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2017 | 10h07

O presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, defensor fervoroso do fair play financeiro e figura importante nos títulos conquistados pelo clube entre 2002 e 2008, comentou que a contratação de Neymar pode desequilibrar as contas do Paris Saint-Germain e o mercado do futebol. Em entrevista publicada pela revista France Football nesta terça-feira, Aulas pediu uma regulação sobre este tipo de transferência e considerou que desde que Michel Platini deixou a presidência da Uefa o fair play financeiro "perdeu um de seus maiores defensores".

O dirigente declarou que, "se o fair play financeiro não cumprir o seu papel no plano europeu, será necessário que o Estado francês o substitua" e "verifique e controle de onde vem o financiamento". "Contra investidores como o Catar, que gera enormes investimentos ligados à produção de gás, não podemos lutar", informou o presidente do Lyon, que comentou que a "operação Neymar" custará ao PSG mais de 1 bilhão de euros em cinco anos.

Aulas, que considerou a transferência "desproporcional", disse que para este ano o PSG deverá ter um orçamento próximo aos 700 milhões de euros e, "como o clube não gerará investimentos à altura dessas despesas, vai desequilibrar uma economia que já tinha problemas para se organizar". O mandatário criticou o fato de não se saber os números reais da transferência do jogador, já que o futebol vive em "um perigoso sistema de desregulação econômica" no qual "só Catar e Emirados Árabes podem atuar".

Aulas se perguntou se a transferência de Neymar "é compatível com uma vida empresarial e uma economia equilibrada" e, mesmo reconhecendo que "em curto prazo pode ser bom para todo o mundo", a mencionou que a operação pode criar "uma desregulação da economia geral e do futebol, principalmente". O presidente do Lyon, que faz parte do Comitê Executivo da Federação Francesa de Futebol (FFF), afirmou que a contratação de Neymar pode gerar "uma bolha" que "pode explodir a qualquer momento".

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