Divulgação Mogi Mirim
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Presidente do Mogi Mirim cogita vender estádio para saldar dívidas

Vail Chaves, segundo Luiz Henrique de Oliveira, está avaliado em R$ 60 milhões

Luis Filipe Santos, especial para o Estado, Estadão Conteúdo

25 Agosto 2017 | 14h18

Afundado na crise e próximo do quarto rebaixamento em dois anos, o Mogi Mirim vive o pior momento de sua história. Com dificuldades para pagar funcionários e jogadores - estes chegaram a entrar em greve -, o clube busca alternativas para pagar os débitos e evitar que os problemas se agravem. Uma dessas soluções pode ser a venda do estádio Vail Chaves, segundo o presidente do clube, Luiz Henrique de Oliveira.

"Desde que se soube que o estádio poderia ser vendido, em 2016, minha vida virou um inferno, com pessoas me pressionando para negociar. Queriam que eu vendesse por R$ 11 milhões, quando o estádio está avaliado em R$ 60 milhões", afirmou Luiz Henrique, em entrevista ao Estado. "Mas eu quero aproveitar o patrimônio, como o Guarani fez".

O clube de Campinas vendeu o Brinco de Ouro a um grupo empresarial, e, em troca, receberá um novo estádio, com menor capacidade que o antigo, um centro de treinamento, nova sede e pagamento de dívidas trabalhistas. A intenção do Mogi Mirim é de negociar a área anexa ao estádio para hotéis, centros de compras, faculdades ou escolas técnicas.

A casa do Mogi Mirim tem capacidade para 19.900 torcedores e foi inaugurada em 1982. Recentemente, o Estado noticiou a interdição do Vail Chaves para menores de idade, por determinação do juiz Fabio Rodrigues Fazuoli, sob alegação de que não cumpre as normas de segurança determinadas em uma portaria municipal. Na ocasião, a diretora jurídica do clube, Roberta Pinheiro, apontou que o clube não tem o dinheiro necessário para realizar as adequações pedidas pelo juiz para liberação de crianças e adolescentes. O estádio também chegou a ser totalmente interditado no início deste ano, mas foi liberado pelos órgãos de segurança, ainda que com restrições.

O mandatário também fala sobre outras ações que tomou para tirar o clube da crise, como realizar aportes no clube com seu próprio dinheiro, medida criticada pela oposição. "Essa prática é proibida pelo Profut, mas o Mogi não aderiu ao programa. Quando assumi, a situação financeira era melhor, por isso o clube não entrou, mas foi se deteriorando com as quedas de divisão. No estatuto do clube, não tem nada contra isso. O ideal seria não fazer [os aportes], mas foi necessário, porque ou eu fazia ou o clube parava", declarou Luiz Henrique.

Atualmente, o Mogi tem 85 títulos protestados em Cartório, somando mais de R$ 200.000,00, e com 93 ações trabalhistas, segundo Rogério Manera, líder do grupo SOS Mogi Mirim, que se posiciona contra Luiz Henrique. O presidente admite que há débitos na justiça, a maior parte surgida em seu mandato.

O clube chegou a dever três meses de salário aos atletas, que decidiram não entrar em campo na 14ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, diante da Ypiranga-RS, configurando W.O.. A medida seria repetida na partida seguinte, diante do Tupi-MG, mas a Federação Paulista de Futebol adiantou repasses de 2018 e pagou um mês de salários atrasados para os jogadores.

Outra medida é uma parceria com uma empresa local para a manutenção das categorias de base, que fornece dinheiro para que os jovens possam ter alimentação, educação, moradia e assistência médica no clube.

Sobre o futuro do Mogi Mirim, Luiz Henrique comenta que vai tentar resolver as pendências aos poucos, tentando atrair investimentos, mas que a situação não é nada fácil. "O que está acontecendo com o Mogi é o que ocorre com grande parte dos clubes do interior do Brasil. Com poucos recursos e sem conseguir atrair receitas, disputando competições deficitárias como a Série C, a conta não fecha", declarou.

Para o próprio futuro, o presidente diz que, no momento, não pensa em ficar no cargo depois do final de 2017, quando termina seu mandato, mas deixa aberta a possibilidade de disputar reeleição. "Posso indicar alguém da situação, mas tenho que conversar com a minha família para resolver. Minha preocupação é de não receber de volta o dinheiro que aportei no clube", diz o presidente. A dívida com Luis Henrique ainda está sendo contabilizada, segundo o próprio mandatário.

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