Ricardo Saibun/Divulgação
Ricardo Saibun/Divulgação

Presidente do Santos pede licença de um ano do cargo

Luis Alvaro de Oliveira vinha sendo bastante criticado por dirigentes do clube e torcedores santistas

SANCHEZ FILHO, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2013 | 21h36

SANTOS - Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro vai ficar fora do Santos por um ano. O Conselho Deliberativo do clube, reunido ontem à noite, aprovou por unanimidade o pedido de afastamento do presidente para se submeter a tratamento de saúde. Durante esse período, o vice Odílio Rodrigues Filho responderá pela presidência, inicialmente despachando de sua casa por estar se recuperando de cirurgias no joelho esquerdo e tornozelo direito em razão de um acidente doméstico.

Nos últimos dias, Laor, como também é conhecido o presidente, não cedeu aos apelos de um grupo de conselheiros para que renunciasse. O seu pedido de nova licença foi feita horas depois de ter sido protocolado na secretaria do Conselho Deliberativo um documento com 97 assinaturas de conselheiros pedindo a realização de uma assembleia do órgão para votar o seu impeachment, sob a alegação de administração temerária por ter acertado o amistoso contra o Barcelona, que resultado na vergonhosa derrota santista por 8 a 0, no dia 2 passado.

Com o pedido de afastamento, Luis Alvaro tenta esvaziar o movimento que pretende que o Conselho Deliberativo vote a sua deposição. Ontem à noite, o dirigente publicou no site oficial do Santos carta dirigida aos santistas e que tem o seguinte teor.

Como é de conhecimento público, desde 2011 venho acumulado problemas de saúde que têm comprometido meu dia-a-dia na Presidência do Santos Futebol Clube.

Estes problemas me acompanharam durante um bom período em 2012 e agravaram-se no início deste ano, quando sofri um infarto e outras graves complicações pulmonares – já havia sofrido um em 2003, com consequentes quatro paradas cardíacas.

Fiquei internado no Hospital Albert Einstein por 50 dias e, desde e ntão, venho tentado retornar a meu ritmo normal na Presidência do Clube, com muita dificuldade.

Nos últimos dias, aflitas com meu estado de saúde, minhas seis filhas fizeram um apelo comovente para que eu me dedicasse de maneira mais séria a meu tratamento, sob risco de acontecer o pior a qualquer momento.

É fato que o Santos FC precisa de um Presidente que esteja presente em seu dia-a-dia, liderando a reformulação em curso após um período de três anos com seis títulos conquistados, o controle das finanças e a redemocratização de nosso estatuto.

Diante disso, em nome do amor à minha família e ao Santos FC, pedi, neste 15 de agosto de 2013, afastamento pelo período de um ano das funções de Presidente do Clube.

Este prazo deve ser suficiente para a continuidade de meu tratamento de saúde, que prevê várias sessões de fisioterapia no Hospital Albert Einstein e uma série de limitações que impedem minha atuação 100% dedicada ao Clube.

Saio tranquilo por saber que tenho um vice-presidente capaz de liderar o Clube em minha ausência, ao lado dos membros do Comitê de Gestão, e um grupo de funcionários extremamente capazes e dedicados, que transformaram o Santos FC em um Clube de vanguarda no futebol brasileiro com uma série de inovações nos últimos anos.

Muito obrigado a todos e até a volta.

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro."

Durante o último afastamento, que venceria no dia 8 passado, Luis Alvaro viajou à Espanha para assistir ao amistoso contra o Barcelona, no Camp Nou, e no auge da crise política que toma conta do clube, antecipou em um dia o seu retorno e demitiu os membros do Comitê de Gestão Pedro Luiz Nunes Conceição e Caio de Stefano e o gerente de futebol, Nei Pandolfo.

Antes do clássico contra o Corinthians, a sala da presidência, no segundo andar da Vila Belmiro, foi transformada numa especie de cela, com a instalação de fortes grades de ferro e, por medida de segurança, o presidente não permaneceu no clube durante o jogo.


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