Marlon Costa|Futura Press
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Presidente do Sport enfrenta organizada e vive sob ameaça

João Martorelli cortou regalias e proibiu uso de símbolos do clube

Monica Bernardes, Especial para O Estado

09 de abril de 2016 | 17h00

A briga entre a diretoria do Sport e a organizada Torcida Jovem vem desde o fim de 2014, quando o atual presidente João Humberto Martorelli iniciou uma espécie de cruzada para afastar a uniformizada do estádio e das dependências do clube. A iniciativa é vista positivamente pela maior parte dos sócios, mas o preço pago pelo dirigente não foi barato. Depois de sofrer ameaças seguidas contra sua vida, ele só sai de casa acompanhado por uma equipe de guarda-costas.

Entre as ações adotadas contra a organizada estão: fechamento de uma sala que era usada pelos membros dentro da sede social do clube; proibição do acesso de qualquer integrante da Jovem nas dependências coletivas do Sport; proibição do uso de símbolos oficiais do clube em qualquer material de divulgação ou produto; proibição da entrada de faixas, camisas, cartazes ou qualquer material que tenha o nome ou a marca da organizada na Ilha do Retiro, onde o time manda os jogos.

Quando o Sport atua fora de casa, a diretoria informa ao mandante do campo – via ofício – sobre a proibição da presença de integrantes da Jovem em sua torcida e pede providências para que a medida seja mantida, alertando inclusive ao dono do estádio sobre os riscos que a uniformizada pode representar.

Embora a relação com a Jovem já fosse conturbada desde 2014, foi em setembro de 2015 que o clima piorou. Foi neste período que o Sport sofreu a perda de um mando de campo em razão de uma briga protagonizada pela organizada durante o jogo contra o Coritiba, pelo Brasileiro, no Couto Pereira. A partida era crucial para o Leão, que brigava por uma vaga na Libertadores, e acabou sem atingir seu objetivo.

Após o episódio, Martorelli propôs ao Conselho Deliberativo do Sport a exclusão de 20 membros do quadro de sócios do clube com base nos incisos II e VIII do artigo 47 do Estatuto Social do Sport, que determinam "ser dever do sócio zelar pelo bom nome do Clube e buscar, por todos os meios, elevar o seu conceito, além de portar-se com a maior decência e urbanidade no recinto social, nos campos de esportes e em qualquer outra dependência do clube".

Em suas declarações públicas o presidente é sempre muito duro em relação à torcida uniformizada. "O Sport é contra a Torcida Jovem. Repudiamos todas as atitudes dela. Não damos ingressos, não permitimos usar o escudo do clube, não financiamos viagens nem cedemos espaço para guardar mais nada. Enquanto o Sport prega a paz e a solidariedade, a Torcida Jovem é apologista da violência, do vandalismo e da desordem", afirmou Martorelli.

No segundo semestre de 2015, a Jovem ingressou com ação na Justiça para tentar reverter a decisão do clube, mas o caso ainda está em tramitação.

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