Presidente do STF apóia Ronaldo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, classificou hoje como uma "aberração" a notícia de que a mãe e a irmã do jogador Ronaldo teriam sido vítimas de racismo no condomínio Golden Green, um dos mais sofisticados da Barra da Tijuca, onde o esportista tem uma cobertura. "Se for verdade, essa discriminação é odiosa, insultante, fiquei pasmo", afirmou Marco Aurélio que também é dono de um apartamento no Golden Green. Ronaldo processará o condomínio por racismo já que sua mãe, Sônia, e a irmã, Ione, foram proibidas de entrar no local a pedido de uma vizinha do primeiro andar. Como o jogador mora na Espanha, as duas ficaram encarregadas de cuidar do apartamento. Mas essa moradora teria dito que não queria mais ver "suburbanos e favelados" no local. "É um ranço da época da escravidão", disse o presidente do Supremo. "Creio que o condomínio esclarecerá isso", afirmou. Marco Aurélio lembrou que existe no Estado do Rio de Janeiro uma lei proibindo a discriminação. Por meio dessa norma, por exemplo, os empregados domésticos não podem ser impedidos de andar em elevadores sociais. "Gostaria, se pudesse, de me transformar em negro para ver o que ocorreria comigo", confidenciou Marco Aurélio, que, recentemente, implantou no Supremo um sistema de cotas para a contratação de funcionários. No primeiro acordo celebrado pelo Supremo, 20% dos servidores contratados são negros.

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