José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Pressão dos clubes força a troca na Comissão de Arbitragem

Coronel Marinho assume vaga de Sérgio Corrêa após processo de fritura na CBF

Almir Leite, Ciro Campos, Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2016 | 07h00

O coronel Marcos Marinho é o novo presidente da Comissão Nacional de Arbitragem. Ele assume o cargo nesta quarta-feira, no lugar de Sérgio Corrêa da Silva, destituído após longo processo de 'fritura'. O ex-comandante da arbitragem nacional não resistiu à pressão feita pelos clubes, agravada pelas polêmicas recentes envolvendo os juízes. Marinho é homem de confiança do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, desde os tempos em que ambos trabalharam juntos na Federação Paulista.

A saída de Corrêa atende ao desejo dos clubes, de acordo com fontes ligadas à arbitragem nacional ouvidas pelo Estado. Ele era considerado intransigente e teimoso. Pelo menos desde o ano passado, boa parte dos dirigentes ligados às principais equipes tentavam derrubá-lo, pressionando Del Nero. Como não conseguiram de maneira clara, passaram a minar o então chefe dos árbitros do País.

Foi por influência dos clubes que o critério de definição dos árbitros mudou este ano. Os participantes dos sorteios para cada jogo passaram de dois para dez. Assim, começaram a entrar na "disputa" juízes que fazem parte do quadro da Fifa, aspirantes à vaga no grupo da entidade mundial e ainda vários novatos. Teve consequência. Várias partidas importantes acabaram sendo apitadas por árbitros inexperientes, que cometeram mais erros em campo e aumentaram o número de polêmicas.

A pressão para a saída de Corrêa cresceu, principalmente após a vitória do Corinthians sobre o Fluminense por 1 a 0, quarta passada, pela Copa do Brasil. Os cariocas reclamaram do paranaense Rodolpho Marques e pediram a cabeça do chefe da arbitragem. Árbitros e auxiliares novatos, por sua vez, sentiam-se desprotegidos por receberem constantes críticas.

Na sexta-feira, Corrêa disse a amigos que pensava em deixar o cargo. Na terça-feira, sua saída foi definida em reunião no início da tarde na sede da CBF. Ele, porém, não deixa a entidade onde está desde 2005. A partir de agora, vai se dedicar ao projeto de implantação do árbitro de vídeo. Na comissão, Marinho terá com vice o ex-árbitro Alício Pena Júnior. Cláudio Cerdeira e Ana Paula Oliveira também farão parte do novo comando.

Sérgio Corrêa dirigiu a Conaf de 2007 a agosto de 2012, quando foi demitido pelo então presidente da CBF, José Maria Marin. Mas retornou ao cargo em maio de 2014.

A mudança concretizou a quarta troca no posto em quatro anos. Após a primeira saída de Corrêa, assumiu Aristeu Tavares, que ficou menos de 12 meses na função. O substituto foi demitido depois de revelar, em entrevista, denúncias de manipulação de resultados.

Antônio Pereira da Silva foi escolhido na sequência. A passagem dele durou pouco mais de um ano, até a volta de Corrêa, que também foi árbitro da CBF entre 1989 a 2000 e presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo.

Marinho havia deixado o comando da arbitragem paulista após escalar um juiz que estava suspenso em jogo do Estadual. A troca do comando ocorre num momento de insegurança em relação aos árbitros que trabalharão nas quartas de final da Copa do Brasil. Nenhum deles é considerado experiente o suficiente.

A TRAJETÓRIA

CHEGADA AO COMANDO

Sérgio Corrêa assume de maneira interina a presidência da Comissão de Arbitragem em agosto de 2007. Acabaria efetivado pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira. 

DEMISSÃO

Corrêa é demitido em agosto de 2012 pelo então presidente da CBF, José Maria Marin, em consequência de erro triplo cometido por um auxiliar no clássico Santos 3 x 2 Corinthians. O Santos teve gol validado mesmo tendo ocorrido três impedimento no lance

RETORNO

Depois de quase dois anos na "geladeira", Sérgio Corrêa retorna à presidência da Comissão de Arbitragem em maio de 2014, véspera da Copa do Mundo disputada no Brasil. 

PÊNALTI À BRASILEIRA

Após a Fifa determinar parâmetros para estabelecer se toque de mão na área seria pênalti, a comissão decidiu que em toda infração desse tipo seria marcado o tiro livre.

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