EITAN ABRAMOVICH | AFP
EITAN ABRAMOVICH | AFP

Pressão e Neymar desafiam a Argentina no Superclássico

Rival pode entrar emcrise se tropeçar estanoite e deixar TatáMartino, fã do brasileiro, bastante ameaçado

Raphael Ramos, enviado especial a Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2015 | 07h00

A Argentina que enfrenta o Brasil nesta quinta-feira tem mais desfalques no ataque do que pontos na tabela de classificação das Eliminatórias da Copa do Mundo. Sem Messi, Agüero e Tevez (machucados), a seleção busca a sua primeira vitória nas seletivas após uma derrota em casa diante do Equador e um empate com o Paraguai fora de casa. A defesa também sofre com baixas importantes, como o lateral Zabaleta e o zagueiro Garay.

A pressão em cima do técnico Tata Martino é enorme. Para piorar, do outro lado estará Neymar, que ele conhece bem porque o dirigiu no Barcelona e, segundo o próprio treinador, atingiu um estagio de excelência que o coloca no mesmo patamar de Messi e Cristiano Ronaldo.

A imprensa argentina tem noticiado nos últimos dias que o emprego do treinador depende do rendimento da equipe nas partidas de hoje e de terça-feira, contra a Colômbia, em Barranquilla. Se o time voltar a falhar, são grandes as chances de a Argentina começar 2016 com um novo treinador.

Martino tenta encarar a pressão com naturalidade. “Não estranho as críticas. Através dos anos, fui entendendo como são essas coisas. Gostaria que isso (a ameaça de perder o cargo) não ocorresse, mas a única maneira para que não procurem me substituir é ganhando todas as partidas’’, disse, ontem.

Para salvar o seu emprego e evitar que a crise tome conta da seleção, Martino aposta em um meio de campo marcador formado por três volantes – Biglia, Mascherano e Banega. Eles serão os responsáveis por tentar segurar os avanços do Brasil e, assim, dar liberdade aos atacantes Di María, Higuaín e Lavezzi.

A ordem para os jogadores de frente é que eles não guardem posição e se movimentem a todo instante. O objetivo é confundir a marcação e pegar a defesa brasileira desprevenida.

Ainda assim, Martino garante que não fará alterações profundas na maneira de o time jogar. “A identidade de uma equipe não se perde por uma derrota’’, justificou. “O que mais me preocupa é dar tranquilidade aos jogadores. Acredito que o Brasil vai jogar no contra-ataque. Nós estaremos à altura da partida, com muita vontade de ganhar. Acredito que quem se impuser com o jogo coletivo vai ter mais chances.’’

Elogios a Neymar. Técnico de Neymar no Barcelona na temporada 2013/2014, Martino também armou um esquema especial para marcar o brasileiro. O lateral-direito Roncaglia ficará preso na defesa e não deve passar do meio de campo. Ainda contará com o auxílio do volante Biglia, que jogará pelo lado direito e deverá avançar pouco ao ataque. “Neymar vive uma fase de maturidade e chega num momento bom para o Brasil.’’

O argentino reconhece que, hoje, o craque brasileiro está num patamar mais alto do que quando foi seu jogador no time catalão e considera isso consequência de sua adaptação. “Todo jogador precisa de um tempo de adaptação. Eu dirigi um Neymar muito bom, mas o que ele está fazendo (agora) o coloca no nível dos dois jogadores que consideramos acima dos outros’’, disse Martino, fazendo alusão a Messi e Cristiano Ronaldo.

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