Agustin Marcarian/Reuters
Agustin Marcarian/Reuters

Pressão no São Paulo aumenta com queda na Libertadores, mas Diniz é mantido

Apesar das cobranças sobre todos os setores do clube, mudanças não devem ocorrer porque o mandato do presidente Leco vai apenas até dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 05h00

A pressão no São Paulo parece não ter hora para acabar. As cobranças pelo jejum de títulos desde 2012 e pelos vexames nos últimos anos devem aumentar com a eliminação ainda na fase de grupos da Copa Libertadores da América. Todos os setores do clube já vinham sendo alvos de torcedores em protestos recentes. A comissão técnica comandada por Fernando Diniz foi bancada pelo diretor de futebol Raí.

"Não foi só uma derrota, foi uma desclassificação que dói bastante na gente. É amarga. Tem que saber que quando não se consegue um objetivo, é porque tem erros, temos que rever. Mas também tem trabalho, muita coisa importante que foi feita até agora e que acreditamos que pode evoluir. É um momento de tristeza, reflexão, avaliação, mas seguimos com o trabalho. Sabemos que tem muito trabalho até aqui. Tem coisas boas, mas que não foram suficientes e temos que melhorar", afirmou Raí, em entrevista à Globo.

O mandato do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vai até dezembro. Por isso, é improvável que haja mudanças em qualquer setor do clube neste momento. A torcida já pediu diversas vezes a saída de Leco e não poupou nem os ídolos Raí e Lugano, hoje diretor de futebol e diretor de relações institucionais, respectivamente. O gerente de futebol Alexandre Pássado também é lembrado nas manifestações dos torcedores.

"São vários anos de xeque que o São Paulo vem passando, muita coisa para ser avaliada no clube, o nosso trabalho. Mas é um time grande e sempre vamos passar dessa fase, vamos voltar a vencer. Temos que seguir trabalhando, sabemos que tem muita coisa a melhorar e temos capacidade para melhorar", analisou Raí.

Nem mesmo a chegada no ano passado do multicampeão Daniel Alves resolveu o problema do São Paulo. Jogador com mais títulos na história do futebol, com 40 troféus conquistados, o veterano de 37 anos virou alvo de protestos após causar polêmica nas redes sociais, quando estava se recuperando de fratura no antebraço e postou vídeo tocando instrumento de percussão. Sem Daniel Alves, o São Paulo perdeu para a LDU e viu a situação na Libertadores ficar praticamente impossível de ser revertida. De fato, o "milagre" não aconteceu e o time foi eliminado.

Outro jogador contratado em 2019 para "mudar a cara" do elenco e passar experiência foi o espanhol Juanfran. Ex-Atlético de Madrid, o lateral-direito de 35 anos perdeu espaço nas últimas partidas ao tornar-se reserva do jovem Igor Vinícius, de 23 anos. Ele voltou a ser titular contra o River Plate e disse que o São Paulo precisa "lutar".

"É um momento difícil para todos, porque o São Paulo é um time campeão. Temos que seguir lutando. Cada vez que cai, é preciso levantar rapidamente. Assim que fui ensinado desde pequeno. Ainda temos campeonatos para tentar ser campeão e vamos lutar até o fim", afirmou Juanfran.

Mais um veternado de 35 anos, Hernanes também vive fase ruim no São Paulo. Apesar de ter o carinho da torcida por causa dos títulos brasileiros de 2007 e 2008 e por ter voltado para ajudar o time na luta contra o rebaixamento em 2017, o meio-campista tem sido bastante criticado. Ele mesmo admitiu insatisfação com seu rendimento e chegou a pensar em deixar o clube. Em agosto, Hernanes decidiu ficar para ajudar o São Paulo neste momento de turbulência.

Pressionado, o São Paulo retorna a São Paulo na manhã desta quinta-feira, em voo fretado que saiu de Buenos Aires na madrugada. A equipe volta a jogar no domingo, diante do Coritiba, no Couto Pereira, pelo Campeonato Brasileiro.

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