Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

Pressionado por dívidas, Santos assegura R$ 5,9 milhões com vaga nas oitavas

Dinheiro pago pela Conmebol por classificação pode ajudar nas finanças do time alvinegro

Leandro Silveira, Estadão Conteúdo

02 de outubro de 2020 | 12h34

A classificação antecipada às oitavas de final da Copa Libertadores representou um êxito esportivo e pode trazer algum alívio aos cofres do Santos, que passa por grave crise financeira e administrativa. Afinal, a passagem de fase garante ao time uma premiação de US$ 1,05 milhão (aproximadamente R$ 5,9 milhões), paga pela Conmebol.

O Santos, pela sua presença na fase de grupos, já teria direito a US$ 3 milhões (R$ 16,9 milhões) repassados pela confederação. E avançar na Libertadores pode ser importante financeiramente para o time, pois o campeão receberá um total de US$ 22,5 milhões (R$ 126,8 milhões).

A "situação catastrófica" do Santos nas finanças, como afirmou o presidente em exercício Orlando Rollo, não afetou, porém, o desempenho esportivo do time, que fez 3 a 2 no Olimpia, na noite de quinta, no Paraguai, chegando aos 13 pontos, garantindo a classificação às oitavas de final e a ponta do Grupo G com uma rodada de antecedência - vai receber o Defensa y Justicia em 20 de outubro.

O bom momento em campo, porém, não ameniza as dificuldades financeiras. Por conta das dívidas, o Santos sofreu duas punições da Fifa. O clube paulista está proibido de registrar novos jogadores e também de fazer contratações por um período de três janelas de transferências. Há ainda o risco de o time perder pontos no Brasileirão.

As punições, impostas pela Fifa, foram por as dívidas com o Hamburgo, da Alemanha, e com mo Huachipato, do Chile. A primeira foi resultado da contratação do zagueiro Cleber Reis e hoje está em R$ 30 milhões, somando multas e juros. A segunda se refere à compra de Soteldo e gira em torno de R$ 18 milhões.

Há outro caso na Fifa que promete causar dor de cabeça ao Santos. O Atlético Nacional alega que o time paulista não pagou duas das parcelas pela aquisição do zagueiro Filipe Aguilar. O time deveria duas, de cerca de R$ 2,18 milhões, pelo jogador, que negociou posteriormente com o Athletico-PR.

Rollo assumiu o comando do clube na última terça porque na noite de segunda o presidente José Carlos Peres foi afastado em reunião do Conselho Deliberativo por causa de irregularidades nas contas de 2019. "O Santos corre risco, sim, de nos próximos dias sofrer mais uma punição. Estamos me eminência de perda de pontos. Eu não vou enganar ninguém", alertou o dirigente.

De acordo com Rollo, o Santos precisaria de cerca de R$ 150 milhões para fechar 2020 pagando as dívidas na Fifa, além de acertar os atrasos de Imposto de Renda, INSS e FGTS e cumprir com as despesas recorrentes, como os salários.

Recentemente, o time negociou o goleiro Everson e o atacante Eduardo Sasha com o Atlético Mineiro. E os membros afastados do Comitê de Gestão alega que foi deixada a quantia de R$ 7 milhões em caixa, destinados para folha de pagamento e o reembolso da redução salarial dos atletas em meio à quarentena, além de outros R$ 3 milhões, do contrato com a Turner, estarem provisionados.

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