JF Diório/Estadão
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Gilles Lapouge
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Previsões e profecias: confrontos

Mbappé é precoce, sinal muitas vezes de um grande destino. Avança mais rápido que o esperado, vive para vencer

Gilles Lapouge, colunista

06 Julho 2018 | 04h00

Toda a França pensa nesses dias em uma panturrilha. Não é uma panturrilha francesa. É uruguaia. Pertence a Cavani, conhecido como “El matador”, e fará parte da equipe do estádio Nijni Novgorod, que enfrentará a França nas quartas - a menos que não faça parte dela. 

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Até tarde, nessas noites sufocantes de Paris, previsões e profecias se confrontam, barulhentas como as armaduras da Idade Média. É capaz que alguns torcedores se dirijam à igreja mais próxima, raspando as paredes, para pedir à Santíssima Virgem que cure a panturrilha de Cavani, mas não muito rápido. Em qualquer caso, não antes de hoje. O último boletim de saúde é lacônico. “Lesão edemática sem ruptura de fibras musculares”. Pois tome-se uma decisão, com isso! O treinador Deschamps, estável, cauteloso e silencioso, decidiu: ele não vai decidir. Vai fingir que Cavani tem que jogar.

No vestiário, nos campos de treino, não estamos muito febris. É que a França pensa ter encontrado uma pérola. Todos os principais países do futebol têm o costume e quase a necessidade de ter um gênio. O Brasil tem uma tal coleção de pérolas, de Pelé a Ronaldo a Neymar, que poderia montar um suntuoso colar. Argentina possuía Maradona e a França tinha Platini e, depois, Zidane. Mas, durante alguns anos, a produção de gênios franceses da bola entrou em marcha lenta. Hoje, novamente, Deus nos guia. 

A fábrica voltou a produzir e de suas linhas veio uma maravilha, Mbappé. Como o resto do time é de bom nível, e como o chefe da França, Deschamps, um veterano que conquistou o Mundial em 98, vencendo o Brasil por 3 a 0, é um técnico sem paralelo que no vestiário dobra os “falastrões”, sim, pela primeira vez, eu aposto que a França vai ganhar do Uruguai por 2 a 1. A menos que a panturrilha de Cavani...

 

Mbappé é precoce, sinal muitas vezes de um grande destino. Avança mais rápido que o esperado, vive para vencer e se encontra em uma idade produtiva, 19 anos e meio. 

Outro recorde: quando o Monaco o vendeu para o PSG no ano passado, ele se tornou um dos jogadores de futebol mais caros da história (Quanto? Muitos milhões, mas como essas informações financeiras são geralmente obscuras, não se sabe o número exato - 180 milhões de euros, dizem).

Outra característica: até agora, em qualquer caso, ele mantém a cabeça no lugar. Porém, receber tantos elogios, tão jovem, é suficiente para fazer os corações palpitarem. Neymar já o vê como “bola de ouro”. Nós o comparamos aos outros. Por exemplo, um Cristiano Ronaldo (o que é estranho é que, se Ronaldo tem os pés mágicos, ele fica apagado do coletivo); Mbappé é um notável distribuidor de jogo. Ele é, como foi o fascinante Zidane: um “líder”. Quando se pergunta a ele qual sua opinião, ele a dá, sem pretensão ou arrogância. Nas entrevistas, é discreto, mas, quando fala, ele é claro, elegante e convincente. Nós o ouvimos.

Quem estiver ao lado dele, hoje, parece digno deste mestre de jogo, cheio de bons atletas, até Griezmann. Há um jovem alto (1,92m), Varane. Pouco visível até o jogo contra a Argentina, vimos este grande garoto de repente estourar, avançar e marcar. Sim, 2 a 1, ou 3 a 1, contra o Uruguai.

*GILLES LAPOUGE É COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E CORRESPONDE EM PARIS

 

 

 

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