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Prezado amigo

Pergunta ao Oscar quantas vezes ele derrotou a ex-União Soviética ou Iugoslávia

O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2017 | 03h00

Qual o critério para se homenagear uma conquista? Talvez o principal seja cotejando-a com outras do mesmo esporte, quando a homenagem trata de esporte. Isso não é fácil porque o tempo joga em favor de um feito e contra outro. Quanto mais recuada uma conquista, menos a repercussão no decorrer do tempo. Agravada pelo culto do presente que atravessa a vida de hoje. Agravada pelo fato de que o registro do mais recente é já em cores, tem imagem brilhante, um ar de contemporaneidade.

Quando se trata, portanto, de reverenciar feitos, cujo registro é na maioria em branco e preto malconservado, com chuviscos e cópias lavadas, a coisa fica ainda mais complicada.

Ocorre que uma cópia fragmentada ou em mau estado não pode desvalorizar uma conquista. Nem apressadas escolhas feitas por razões difíceis de entender. Essas escolhas geram profunda mágoa em quem se sente desprestigiado, menosprezado e esquecido. Gera desabafos como o que acabo de receber de um atleta de basquete cuja carreira inicia no Mundial de 54 como pivô e acaba cerca de 20 anos depois como armador. Sempre com destaque.

“Prezado amigo Ugo, lamento que seja você o destinatário desta lamentação. Sou de poucas palavras, mas não resisto deixar de comentar este tema que já se tornou habitual e propagado por quase a totalidade da crônica que se intitula ‘especializada’. Se trata da presente manifestação dos meios de comunicação louvando e exaltando a passagem de 30 anos da conquista do ouro dos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis de 1987 pela nossa equipe de basquetebol. Sem dúvida foi um resultado de expressão, mas nem de longe a maior conquista de nosso basquete como os expressivos títulos de bicampeão mundial de 1959 e 1963, somados às duas medalhas olímpicas obtidas em 1960, Roma, e 1964, Tóquio.

Em Roma, derrotamos a União Soviética nas quartas e depois perdemos após alteração do sistema de disputa por parte Fiba na semifinal, anulando a validade do jogo das quartas. Perdemos a medalha de prata na secretaria.

Temos os dois vices mundiais de 1954 e 1970 e bronze no Mundial de 1967, todas disputas de caráter mundial e não regional, como o são os Jogos Pan-Americanos, restritos a times das Américas, não havendo confronto com equipes de ex-União Soviética (14 nações) e Iugoslávia (8 nações) as quais enfrentamos durante nossa participação em torneios internacionais e, igual que as representações dos EUA, vencemos em diversas ocasiões.

Com exceção da Olimpíada de Melbourne (1956), nossa equipe participou de todas as finais dos Mundiais havidos entre 1950 e 1970.

Parece que tudo isso nada significou. Pergunta ao Oscar quantas vezes ele derrotou a ex-União Soviética ou Iugoslávia. Nenhuma. Contudo, o marketing que se faz sobre aquele Pan-Americano é monumental!!!

E já que estou abordando o tema, há outra questão a ser esclarecida: o Oscar se manifesta recordista mundial de pontos consignados, apesar de estar explícito na Wikipédia que grande parte dos pontos não possuem registros oficiais, além disso é completamente e matematicamente impossível a obtenção dos pontos referidos no período em que jogou. O que sempre me motivou no basquete foi minha determinação em ganhar os jogos e campeonatos que disputei, seguindo o pensamento de meu grande ídolo Bill Russell: ‘O importante é vencer, pois contra isso não há controvérsia, sobre ser o melhor há fatores de simpatia ou antagonismo envolvidos, mas sobre vencer ou perder não há discussão!’

Assim fizemos eu e meus companheiros de equipe. Te mandei este texto, pois te considero um dos nossos, jogador que você foi.

Abraço, Amaury”

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