Divulgação/Norwich City
Divulgação/Norwich City

Primeiro jogador britânico a se declarar gay vai entrar para o hall da fama do futebol inglês

Justin Fashanu vai fazer parte do Museu do Futebol Nacional, localizado em Manchester

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 08h21

O Hall da Fama do Museu do Futebol Nacional (National Football Museum), na Inglaterra, terá um novo membro a partir desta quarta-feira: Justin Fashanu, o primeiro e único jogador britânico a se declarar homossexual  enquanto atuava Campeonato Inglês. A homenagem será feita no dia em que o atacante, revelado pelo Norwich City e com passagens por Nottingham Forrest, Southampton, Manchester City e West Ham, completaria 59 anos.

O museu, localizado na cidade de Manchester, já condecorou mais de 100 jogadores, treinadores, seleções e personalidades que marcaram a história do futebol. Justin Fashanu será representado na cerimônia por sua sobrinha, Amal Fashanu, que no ano passado criou a The Justin Fashanu Foundation. A instituição luta contra a homofobia no futebol.

"O fato de Justin ter se levantado e dito: ‘este é quem eu sou, vou me respeitar e fazer com que os outros me respeitem por quem eu sou’, é uma das coisas mais impressionantes. Não conseguiria me sentir mais honrada em ser sobrinha dele.", disse Amal à BBC.

Apesar de ser mais conhecido pela fala sobre sua sexualidade, Fashanu era um talentoso jogador, tanto que foi o primeiro jogador britânico a valer mais de 1 milhão de libras em uma transferência. O valor foi pago pelo Nottingham Forest para tirá-lo do Norwich City, em 1981.

"Acho que esse seria um ótimo momento para meu tio e acho que é um momento crucial quando finalmente reconhecemos quem Justin Fashanu era, não apenas como um jogador de futebol abertamente gay, mas também como um jogador talentoso e o primeiro negro de um milhão de libras a jogar na Inglaterra", destacou Amal à Sky Sports News.

Suicídio

Em 1998, quando tinha apenas 37 anos, Justin Fashanu foi encontrado enforcado em uma garagem, em Shoredict, Londres. Já aposentado do futebol, ele foi acusado de abuso sexual por um jovem de 17 anos, nos Estados Unidos. Em carta de despedida, o atacante disse ser inocente das alegações, mas disse que não teria condições de se defender por ser homossexual.

"Eu percebi que já tinha sido considerado culpado. Não quero envergonhar minha família e amigos. Ser gay e uma personalidade é muito difícil, mas não posso reclamar. Queria dizer que não agredi sexualmente o jovem. Tivemos sexo consensual, mas no dia seguinte ele me pediu dinheiro. Ao recusar o pedido, ele falou ‘espere e você vai ver só’. Se esse é o caso, eu ouço vocês dizerem, por que eu fugi? A justiça nem sempre é justa. Percebi que não teria um julgamento justo por conta da minha homossexualidade."

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