Primeiro clube de Pelé está abandonado

O clube onde Pelé começou sua carreira, em 1954, está fechado. Desde dezembro, quando teve o fornecimento de eletricidade cortado por falta de pagamento, o Bauru Atlético Clube (BAC) está com a sede desativada. As cinco piscinas estão cheias de lodo e larvas, a academia de ginástica, a sauna e os vestiários estão fechados, o restaurante e o ginásio de esportes estão inativos e o gramado - que abrigou os primeiros passes do Rei do Futebol - está infestado de ervas daninhas.A crise é antiga e já provocou, no ano 2000, uma tentativa de venda da sede - localizada num dos pontos mais inflacionados da cidade - para reinvestimento dos recursos numa nova instalação fora da área urbana. A operação foi abortada diante da reação contrária dos antigos sócios, mas isso não foi suficiente para manter o clube em funcionamento. A falta de estacionamento, as opções de lazer cada dia mas escassas e problemas administrativos levaram ao colapso. Hoje o BAC deve aproximadamente R$ 1 milhão em ações trabalhistas, fornecedores e impostos, mas ainda pode ser viável porque seu patrimônio é avaliado entre R$ 4 e R$ 6 milhões.Mesmo depois de parar com o futebol, nos anos 60, o clube ainda se manteve forte por longo período. Parte do antigo campo deu lugar ao conjunto de piscinas e o ginásio de esportes também serviu como pista de dança e quadra para bailes de carnaval, numa época em que o quadro era composto por mais de 5 mil associados. Mas a falta de modernização acabou afastando o sócio e ultimamente só cem deles ainda permaneciam ativos, gerando uma arrecadação insuficiente para cobrir as despesas de manutenção. Tanto que, em dezembro, não se conseguiu eleger uma diretoria.Gerson Cardoso, presidente do conselho deliberativo é, hoje, o único que fala pelo entidade e convocou para a próxima segunda-feira uma reunião dos conselheiros e demais interessados para dar encaminhamento à crise. "Vamos eleger uma diretoria, chamar os associados a regularizar suas situações com o clube e, a partir daí, convocar uma assembléia-geral para discutir o que fazer", afirma o conselheiro, lembrando que já existem várias propostas desde a manutenção da sede atual, a construção de uma nova, até a dissolução da sociedade.Gerson Cardoso é partidário de primeiro recolocar a sede em funcionamento para depois, com tempo, buscar uma solução definitiva.Existem construtoras interessadas em assumir o terreno das atuais instalações - de 13,6 mil metros quadrados, oferecendo em troca um clube novo, construído fora da área urbana inflacionada. "Mas isso esbarra nos antigos sócios e na própria cidade que não gostaria de ver acabar o ´berço do Pelé´, mas para isso tem de participar", diz o conselheiro, que deseja apenas uma coisa: manter o clube em funcionamento.Fundado em 1919, como Luzitana FC, depois rebatizado com o nome da cidade, o clube alimentou grande rivalidade no futebol com o Esporte Clube Noroeste dos anos 30, 40 e 50. De 1944 até o começo dos anos 50, Dondinho, o pai de Pelé, foi o centroavante da equipe, época em que levou o filho para jogar no juvenil.Em 54, Pelé começou a jogar oficialmente no BAC, mas logo foi levado ao Santos, por Valdemar de Brito, ex-técnico do time de Bauru. Dondinho ainda dá nome à academia de ginástica do clube.A idéia de algumas pessoas ligadas ao BAC é, além de reativar o quadro social e reabrir as atividades, pedir o apoio institucional de Pelé para que o clube possa obter parcerias e continuar existindo e, na medida do possível, preservando o lugar e a história do começo de carreira do Rei do Futebol.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.