Primeiro título da Copa Libertadores do São Paulo completa 20 anos

Tricolor venceu o Newell's Old Boys na final, nos pênaltis, por 3 a 2, depois de ganhar o jogo no Morumbi por 1 a 0

ROBSON MORELLI, estadão.com.br

16 de junho de 2012 | 15h48

SÃO PAULO - Em 1992, quando o São Paulo começou a disputar a 33ª edição da Libertadores sob o comando de Telê Santana à beira do gramado e Raí com a camisa 10, a competição sul-americana não tinha o peso que tem hoje. Era uma disputa internacional, respeitada, mas não estava entre as mais importantes para os clubes brasileiros. A caminhada tricolor começou diante de um rival caseiro, o nanico Criciúma, que se fez gigante diante do seu primeiro adversário: ganhou por 3 a 0. O São Paulo tinha um time consagrado, havia faturado o Brasileirão no ano anterior. A garotada só queria saber da equipe do Morumbi.

E foi nesse clima, empurrado por sua torcida, com alguns tropeços e boas vitórias, que o São Paulo mudou a ordem natural do futebol brasileiro, recolocando um clube do País no topo da América novamente - antes de o São Paulo ganhar a Libertadores de 1992, sua primeira da história, o último vencedor do torneio havia sido o Grêmio, em 1983. Com a façanha tricolor, o Brasil começou a olhar com mais carinho para a competição. O troféu da Libertadores passaria então a ser objeto de desejo de todos os clubes brasileiros.

Sob a batuta de Raí e Cafu, o São Paulo foi derrubando seus adversários um a um. Na primeira fase, por exemplo, deixou para trás os bolivianos San José e Bolívar, além do próprio Criciúma, que cruzaria o seu caminho mais adiante. Nas três fases de mata-mata, antes de se credenciar para a finalíssima, o Tricolor passou por Nacional do Uruguai, novamente o Criciúma e o Barcelona do Equador. Das seis partidas, sempre uma fora e outra em casa, ganhou cinco: empatou com o rival brasileiro em 1 a 1.

O Newell's Old Boys era comandado pelo chileno Marcelo Bielsa, em começo de carreira, mas já com sua filosofia de futebol ofensivo. Daria muito trabalho ao São Paulo, não havia dúvidas. Não deu outra. Em Rosário, Berizzo fez o único gol da partida, de pênalti, resultado que dava ao time argentino a vantagem do empate. O São Paulo teria de jogar muita bola então. Telê ganhou o apoio de seu torcedor, que entendeu a necessidade de empurrar o time para uma dura batalha. Também de pênalti, Raí fez o gol da vitória no Morumbi diante de 105 mil pagantes, placar que levou a decisão para a sempre sofrida disputa de pênaltis. Na cobrança derradeira, Zetti defendeu chute de Gamboa, fazendo explodir de alegria o torcedor são-paulino. Raí, Ivan e Cafu acertaram suas cobranças.  No fim daquele mesmo ano, o São Paulo ganharia o Mundial da Fifa. Mas essa é outra história.

O TIME DO SÃO PAULO QUE FEZ A FINAL DA LIBERTADORES

Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado, Palhinha e Raí; Muller e Elivélton. Técnica: Telê Santana

A CAMPANHA DO CAMPEÃO

Primeira Fase

6 de março - Criciúma 3 x 0 São Paulo

17 de março - San José (Bolívia) 0 x 3 São Paulo

20 de março - Bolívar (Bolívia) 1 x 1 São Paulo

01 de abril - São Paulo 4 x 0 Criciúma

7 de abril - São Paulo 1 x 1 San José (Bolívia)

14 de abril - São Paulo 2 x 0 Bolívar (Bolívia)

Oitavas de final

28 de abril - Nacional (Uruguai) 0 x 1 São Paulo

6 de maio - São Paulo 2 x 0 Nacional (Uruguai)

Quarta de final

13 de maio - São Paulo 1 x 0 Criciúma

20 de maio - Criciúma 1 x 1 São Paulo

Semifinal

27 de maio - São Paulo 3 x 0 Barcelona (Equador)

03 de junho - Barcelona (Equador) 2 x 0 São Paulo

Final

10 de junho - Newell's Old Boys (Argentina) 1 x 0 São Paulo

17 de junho - São Paulo 1 (3) x 0 (2) Old Boys (Argentina)

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