Prisão de Menem agita "barra bravas"

Não bastasse a greve geral contra a política econômica do presidente Fernando de la Rúa marcada pela Central Geral do Trabalho para esta sexta-feira, a prisão do ex-presidente Carlos Menem inflamou os torcedores do Boca Juniors para a partida contra o Palmeiras. Não bastassem as acusações de haver recebido propina nas vendas de armas para a Croácia e Equador, Menem é um torcedor-símbolo do River Plate, inimigo de morte do Boca Juniors.Nas ruas centrais como Córdoba e Florida ou nas cercanias do estádio, torcedores com camisas oficiais do clube e faixas na cabeça se misturavam com sindicalistas comemorando a prisão de Menem e a expectativa da partida contra os brasileiros. "Temos de fazer do jogo um complemento deste dia histórico que começou com a prisão do principal gallina", afirmava Roberto Palombo, que segurava uma bandeira do Boca com uma mão e uma faixa da CGT com a outra. "Gallina", com o significado de covarde, é como os torcedores do Boca se referem aos do River Plate.Mas a cantoria que dominava as ruas de Buenos Aires não iludiam os 35 torcedores da Mancha Verde que vieram de ônibus de São Paulo para o jogo. Preocupados, eles procuraram o presidente Mustafá Contursi no hotel Sheraton Libertador pela manhã.Imploraram para o dirigente arrumar uma escolta policial para que pudessem acompanhar a partida sem ser perturbados pelos ´barra bravas´ do Boca Juniors. Contursi conseguiu a escolta. O combinado foi a Mancha Verde ir para a Bombonera na mesma hora que o Palmeiras.A greve marcada para esta sexta-feira fez com que os dirigentes do Boca Juniors pedissem aos dirigentes do Palmeiras para antecipar a partida em 35 minutos. Começando às 21h10 os torcedores teriam mais tempo para tomar os últimos ônibus, trens e metrôs. Mustafá Contursi não se opôs ao pedido humanitário. Mas acontece que as televisões interferiram. Só que executivos da Globo, PSN e Bandeirantes, do Brasil, e da TC Sports e Canal 13 da Argentina, se uniram para exigir que o horário das 21h45 fosse mantido. Não iriam desorganizar suas grades de programação por causa da grave. E assim, o horário foi mantido.Como no Brasil, de nada adianta a proibição de vendas de bebidas alcólicas na Bombonera. Os torcedores, na sua maioria jovens, já chegam ?cheiando a cerveza de longe?. O Boca contratou 500 policiais, pagando US$ 55 por cada um à Policia Militar, para dar segurança aos torcedores. Os 53.400 ingressos foram vendidos e a arrecadação da partida desta quinta-feira chegou a invejável cifra, para os dirigentes brasileiros, de US$ 700 mil.

Agencia Estado,

07 de junho de 2001 | 18h33

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