Problemas cardíacos afetam 8% dos atletas brasileiros

A tragédia da morte do zagueiro Serginho em pleno gramado do Morumbi está longe de ser uma fatalidade, como sugeriu o médico do Incor, Edimar Bocchi. A possibilidade deste tipo de ocorrência sempre foi muito grande, segundo mostra estudo do cardiologista Nabil Ghorayeb, presidente do Grupo de Estudos em Cardiologia do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e responsável pelo único levantamento sobre o assunto já realizado no País.A partir de um cadastro de 4 mil atletas de alto rendimento, o estudo isolou 2.100 - que tinham até 35 anos - e chegou a uma conclusão estarrecedora. Nada menos que 8% desses atletas apresentaram algum tipo de problema cardíaco. ?Por extensão, podemos deduzir que em cada clube de futebol do Brasil, temos pelo menos dois jogadores com algum tipo de anormalidade cardíaca?, diz Ghorayeb. E o pior, os clubes não sabem. ?Se você pegar 50 clubes no Brasil, nem cinco fazem os exames necessários para a identificação de eventuais problemas?, acrescenta o cardiologista.Os riscos ficaram claros nestes últimos meses. No espaço de um ano e meio - entre junho de 2003 e dezembro de 2004 - o mundo acompanhou uma seqüência incrível de seis mortes em campo - algumas delas, como a do camaronês Marc Vivien-Foe, do húngaro Miklos Feher e dos brasileiros Serginho e Cristiano Lima Junior - mostradas ao vivo pela televisão.O Brasil não dispõe de números precisos, mas especialistas estimam que no País sejam registradas entre 30 e 40 mortes de atletas por ano. A maioria delas se dá entre jogadores de futebol. ?É a modalidade que tem o maior número de praticantes?, explica o médico.De acordo com dados divulgados no último congresso médico da Fifa, realizado em novembro deste ano em Cancún, no México, foram registradas 28 mortes em todas as categorias do futebol na Europa, em 2003. Nos Estados Unidos - em todas as modalidades esportivas - foram contabilizadas 25. Noventa por cento de todos esses casos, foram conseqüência de problemas no coração.O estudo mostra que 90% das anomalias cardíacas são de origem congênita, que poderiam ser diagnosticadas com exames específicos. Os 10% restantes surgiram de fatores externos, como erros alimentares graves, sobrecarga de exercício e ingestão de substâncias proibidas pela legislação esportiva, em especial, os suplementos vitamínicos.Os fatores de risco são os mesmos apontados pelo médico do Botafogo, Carlos Veiga, que relaciona o aparente aumento no número de casos de morte em campo com o uso de novas drogas sintetizadas em laboratórios e a sobrecarga de exercícios físicos. ?Além disso, muita coisa que no passado passava desapercebida, hoje não passa mais. Há muito mais divulgação dos casos?, acredita.Veja outros casos de morte em campo:CARLOS MALHUE SERRANO - Jogador chileno de 22 anos, morreu no dia 12 de dezembro de 2004 , vítima de uma parada cardíaca no jogo do seu time, o Rio Maipó, contra o Estrella do Chile.CRISTIANO LIMA JUNIOR - Brasileiro de 25 anos, morreu no dia 5 de dezembro, logo após marcar o seu segundo gol na vitória do Dempo, por 2 a 0, sobre o Mohun Bagan na final da Federation Cup. Laudo indicou parada cardíaca.SERGINHO - Jogador do São Caetano, de 30 anos, morreu no dia 27 de outubro de 2004, no jogo contra o São Paulo, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.MIKLOS FEHER - Jogador húngaro, de 24 anos, atuava pelo Benfica (POR). Morreu no gramado no dia 25 de janeiro de 2004, na partida contra o Vitória de Guimarães, vitima de parada cardíaca.MAX - Zagueiro de 21 anos, atuava pelo Botafogo de Ribeirão Preto. Morreu no dia 2 de julho de 2003, após passar mal em um coletivo da equipe.MARC-VIVIEN FOE - Jogador de 28 anos, da seleção de Camarões. Morreu no dia 26 de junho de 2003 após sofrer parada cardíaca durante a partida contra a Colômbia, pela Copa das Confederações, no estádio Gerland, em Lyon, na França.Leia maisExames preventivos podem evitar problemasSuplementos vitamínicos "minam" saúde dos atletas

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