Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Problemas extracampo da seleção brasileira esgotam Felipão

Técnico tem demonstrado cansaço visível por ser requisitado a resolver questões fora do trabalho de acertar a equipe

Almir Leite e Sílvio Barsetti - Enviados Especiais, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2013 | 07h55

BRASÍLIA - Há um desgaste público do técnico Luiz Felipe Scolari com as demandas que não dizem respeito à preparação da equipe para os jogos da Copa das Confederações. Ele toma várias decisões por dia, divide algumas delas com o coordenador Carlos Alberto Parreira, mas, mesmo assim, já dá alguns sinais de cansaço.

 

Desde que o grupo se reuniu no Rio, há três semanas, com passagem por Goiânia, Porto Alegre, Brasília e Fortaleza, capital que recebeu ontem a delegação para o jogo de quarta-feira, contra o México, Felipão recebeu inúmeras solicitações que nada têm a ver com seu trabalho específico de campo.

 

O técnico comentou sobre isso na entrevista coletiva concedida domingo, logo após a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre o Japão, em Brasília. Disse que não lhe sobra tempo para nada, quando indagado se tomava conhecimento do teor das entrevistas dos jogadores. "São muitas solicitações fora do futebol para administrar. Vocês não têm ideia".

 

Em Brasília, ele recebeu a visita do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Em Goiânia, políticos locais, outras autoridades e dirigentes de clubes queriam proximidade a todo instante da comissão técnica e, principalmente, dos jogadores.

 

Pessoas em defesa de causas humanitárias surgem nos treinos da seleção, e pedem algum apoio do grupo, nem que seja uma divulgação mínima do trabalho. Até agora já foram dezenas de pedidos idênticos a partir do momento em que os convocados se reuniram no Rio. Alguns são atendidos, mas isso é quase uma exceção. E essas decisões chegam a Felipão para que ele possa dar a palavra final.

 

Fica difícil para o técnico negar, por exemplo, que os jogadores se agrupem para uma foto com oficiais do Corpo de Bombeiros que cederam uma unidade da corporação para dois treinos da seleção em Brasília. Militares que escoltam a seleção e têm a chance de ficar perto do técnico e dos atletas muitas vezes também querem levar um autógrafo para os filhos e a seleção procura atendê-los.

 

Na sexta-feira, o chefe da delegação do Brasil na Copa das Confederações, Gustavo Dantas Feijó, se juntou à equipe. Ele pode ajudar a atenuar toda carga que recai sobre Felipão e Parreira fora de campo. Embora seu papel prioritário seja representar a CBF em eventos com autoridades brasileiras e estrangeiras e dirigentes da Fifa.

 

Esse universo de relações públicas que cabe a Felipão inclui ainda alguns mimos para gerentes e outros funcionários dos hotéis que hospedam a seleção. O técnico não se nega a atender as pessoas mais humildes que trabalham nesses locais. Faz isso com prazer.

 

O conjunto das solicitações, ainda na fase inicial do torneio, é uma pequena mostra da provável "avalanche" que virá na Copa de 2014. "Vem um cadeirante e quer uma foto ao lado dele. Não tem como dizer não. E ele não reclama, faz com boa vontade", contou o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva. "Temos de conviver com isso, essa é a seleção brasileira", disse o técnico, que espera poder dedicar mais tempo a questões relacionadas ao time.

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