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Problemas na Arena Corinthians atrapalham venda de naming rights

Novela para batizar o estádio em Itaquera não acaba e dirigente culpa demora na finalização das obras

Daniel Batista e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2016 | 18h51

A novela de venda de naming rights na Arena Corinthians parece não ter fim. Por várias vezes o estádio já esteve perto de ser batizado, segundo os próprios dirigentes, mas os problemas com a nova casa do clube atrapalham bastante a comercialização. Da concepção original à realidade, existe uma diferença de 30%, segundo Luis Paulo Rosenberg, ex-vice presidente de marketing do Corinthians e um dos idealizadores do estádio.

"Em primeiro lugar, da elaboração do projeto até a construção, a economia brasileira afundou nos últimos três anos. Já a segunda coisa tem a ver com acabamento. Quem vai à arena se deslumbra com a imponência e o trabalho feito, mas quem participou do projeto sabe que ficou devendo 30%", diz.

No momento, uma auditoria externa está sendo feita para levantar todas os itens do projeto e o que não foi realizado pela Odebrecht. Alguns relatórios feitos pelo CDC Arquitetos, contratados pelo Corinthians para acompanhamento do projeto e obra, já apontaram problemas na construção e omissão de alguns acabamentos e trechos de obra no estádio. Isso tem provocado infiltração em algumas paredes e tetos, e já houve até a queda do teto no prédio oeste, por má colocação.

Desta forma, o Corinthians não tem conseguido vender os espaços nobres do estádio, assim como o naming rights. Toda a renda da arena está vindo das receitas de bilheteria, mas com o público diminuindo, a arrecadação também caiu. "Se não tivermos um padrão alto de qualidade, fica difícil vender os camarotes. A gente precisava dinamizar tudo isso e o naming rights viria naturalmente", complementa Rosenberg.

Do ponto de vista das finanças, a operação do estádio não vai bem. Além da renda ter diminuído e não conseguir negociar os naming rights, o clube também não vendeu os CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento) emitidos pela Prefeitura de São Paulo, avaliados em cerca de R$ 450 milhões. Para piorar, a Odebrecht fez um empréstimo de R$ 350 milhões à Caixa para cobrir rombo nas contas da arena.

Outra dívida é entre o Corinthians e o CDC Arquitetos. O escritório cobra cerca de R$ 7 milhões, que com juros e honorários advocatícios pode chegar a R$ 11 milhões. "Nós fizemos um mútuo no valor da última parcela, registrado em cartório, para vencimento até julho de 2015. Após isso, fizemos várias tentativas para receber e o Corinthians nos autorizou a cobrar o título. Continuamos trabalhando da mesma maneira e afinco e prestando assistência até julgarmos que a obra esteja concluída", explicou Anibal Coutinho, reiterando que tem vínculo apenas com o Corinthians.

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