Problemas se acumulam para Scolari

A "seleção bandida", assim chamada por Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, e formada por jogadores experientes, acostumados a suportar pressão e a livrar-se de situações embaraçosas, até agora fez apenas uma vítima: o técnico Luiz Felipe Scolari. O treinador estreou com derrota de 1 a 0 para o Uruguai, nas eliminatórias, foi obrigado a juntar um grupo de emergência para disputar a Copa América e sofreu baixas significativas, em circunstâncias frustrantes. Primeiro, aceitou dispensar Cafu, Roberto Carlos e Rivaldo, esgotados pela temporada européia. Depois, deixou de lado Romário, que iria "operar a vista", mas que abriu os olhos e viajou com o Vasco para excursão no México. O golpe maior, no entanto, veio a poucos minutos do embarque para a Colômbia, no final da tarde de terça-feira. O volante Mauro Silva, anteriormente escolhido como "símbolo" do espírito guerreiro da "nova" seleção, desistiu de disputar o torneio sul-americano. O jogador do La Coruña foi ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, encontrou-se com Felipão e lhe comunicou a decisão de abandonar o grupo. Felipão sentiu o golpe, que se juntou à ausência de Lúcio e Élber, impedidos de viajar pelos alemães Bayer Leverkusen e Bayern Munique, respectivamente. O meia Eduardo Costa era esperado ontem (10) à noite, depois de acertar sua situação no Bordeaux, clube francês que comprou seu passe do Inter de Porto Alegre. Belletti (São Paulo) e Juan (Flamengo) chegam quinta-feira. Perplexo com a atitude de Mauro Silva, o treinador não quis falar a respeito do assunto, no vôo de São Paulo a Cali, sede da seleção na primeira fase da Copa. Seu semblante era triste e preocupado. O técnico passou a manhã de hoje reunido com o coordenador Antonio Lopes, em busca de saída para as três baixas. Ainda havia esperança de contar com Lúcio e Élber, por conta da intermediação da Fifa. Mas o panorama mudou no começo da tarde. Os dois clubes europeus reafirmaram a intenção de reter o jogadores e não se mostraram nem um pouco preocupados com eventuais sanções que venham a sofrer. A alternativa mais razoável foi a de buscar nomes para novas convocações de última hora. Luizão, do Cruzeiro, foi apontado como o mais adequado para a zaga. Para o lugar de Mauro Silva, a tendência era recorrer a Fernando, do Juventude. A vaga aberta no ataque iria para Guilherme, do Atlético-MG. Tantos problemas estão tirando o sossego de Felipão, que hoje perdeu a paciência com fotógrafos e cinegrafistas. Alguns profissionais da imprensa, mesmo a distância, tentaram fazer imagens do treinador, durante almoço, no hotel em que a seleção está concentrada. Ele percebeu, mostrou-se contrariado e alguns auxiliares intervieram e pediram para os "intrusos" irem embora. Por isso, a poucas horas da estréia do Brasil - quinta-feira, contra o México -, não há ainda um time titular definido. Marcos será o goleiro, enquanto Cris e Roque Júnior devem formar a zaga central. Júnior vai na lateral-esquerda. Émerson e Juninho Paulista têm lugar garantido no meio-de-campo e Jardel entra como centroavante. Há dúvidas, portanto, em cinco posições: na lateral-direita, duas no meio-campo e uma no ataque. Felipão talvez tenha logo a desconfortável sensação de que "entrou em fria".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.