Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Processo da Fifa contra Del Nero tem mais de 1,3 mil páginas

Material, porém, é integralmente baseado em julgamento nos EUA e entidade não produziu um só documento contra o brasileiro em dois anos de “investigação”

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2017 | 07h00

Com mais de 1,3 mil páginas, o processo aberto pela Fifa contra Marco Polo Del Nero acumula todas as acusações feitas contra ele por testemunhas e pela defesa de José Maria Marin, em Nova Iorque. Mas, apesar de ter anunciado que estava investigando o brasileiro há dois anos, o inquérito não traz nem mesmo um documento produzido pela investigadora da Fifa, Maria Claudia Rojas.

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Na sexta-feira, a entidade suspendeu provisoriamente Del Nero por 90 dias, sob a justificativa de que existem indícios suficientes para o barrar de atividades no futebol. Em sua edição de sábado, o Estado revelou como, nos bastidores, a decisão de afastar Del Nero foi tomada com base também em considerações políticas.

Nos documentos do caso, a Fifa inclui as evidências apresentadas pelos procuradores americanos de um suposto recebimento de US$ 6,5 milhões em propinas por parte de Del Nero. Estão incluídas as transcrições completas das testemunhas levadas ao tribunal americano e que citam como brasileiro teria se aproveitado dos subornos.

Mas sua defesa argumentará que, pelos estatutos da Fifa, uma decisão de suspensão não pode ser tomada com base em “influência” de órgãos terceiros e que cabe aos próprios investigadores da Fifa produzir ou colher evidências. Pelo artigo 34 do Código de Ética da entidade, cabe aos membros do órgão devem realizar seu trabalho de forma “totalmente independente” e sem a “influência de terceiras partes”.

O processo agora promete ser longo. Nos próximos 90 dias, o tema será alvo de uma consideração por parte do Comitê de Ética da entidade, que anunciará uma punição definitiva ao brasileiro. Se o banir, como fez com os demais cartolas, Del Nero não poderá manter qualquer relação com o mundo do futebol.

A defesa do brasileiro quer acelerar o processo para permitir que, em caso de uma condenação, o caso possa ser rapidamente tratado por uma entidade independente, que atuaria fora das considerações políticas da Fifa. No caso, o Tribunal Arbitral dos Esportes.

Em qualquer uma das possibilidades, porém, Del Nero não poderá viajar para suas audiências para se defender nem diante da Fifa e nem diante do Tribunal, o que poderá debilitar suas chances. Caso o faça, seria preso e extraditado aos EUA para enfrentar a corte americana que julga José Maria Marin.

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