Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Processo na Espanha por fraude e corrupção deixa Neymar irritado

Atacante é investigado por supostas irregularidades em sua venda

Almir Leite e Gonçalo Júnior, enviados especiais a Santiago, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 07h00

Neymar brincou menos do que de costume ontem. Na maior parte do tempo, ficou imerso nos fones de ouvido. Mas nem o pagode o fez sorrir. O dia seguinte após perder para a Colômbia, xingar os rivais e ser expulso por chutar a bola no colombiano Armero foi de silêncio, reclusão, sim, tristeza. Neymar está passando por um momento difícil, dizem os amigos.

O jogador preferiu ficar a maior parte do tempo no quarto da concentração em Santiago e só apareceu nas refeições e para treinar no período da tarde. O camisa 10 fez um trabalho na academia e outro com o massagista Sérgio Oliveira. “Ele é calmo, sossegado, não gosta muito de falar sobre problemas”, disse um funcionário da delegação brasileira. “Quando ele está mal, fica na dele”. 

Neymar é uma espécie de termômetro do humor do grupo. Um ex-companheiro do Santos disse uma vez que a liderança técnica dele acaba influenciando os outros ambientes. Portanto, foi um dia de silêncio geral. Todos os jogadores evitaram brincadeiras e falaram poucos durante a atividade do preparador físico Fábio Mahseredjian.

Companheiros da seleção afirmam que Neymar está mais irritado, nervoso e intranquilo como demonstrou na partida contra a Colômbia por causa do final da temporada. Depois de chegar ao ápice de sua carreira, o título da Liga dos Campeões com o Barcelona, ele queria ter mais tempo para celebrar o sonho de infância. Curtir o momento como uma pessoa de 23 anos. A parte física pesou.

Não teve tempo de comemorar ou descansar. Foi campeão no sábado e, na quarta-feira, participou do amistoso contra Honduras. Jogou, mas estava contrariado. Obviamente, foi mal. A gota d’água foram as vaias. Não se junto aos companheiros para saudar o público. “Mete o pé, vamos embora”, disse, chamando os colegas para o vestiário do local.

PROCESSO

Nos últimos dias, veio a bomba. O melhor jogador da seleção ficou tenso e preocupado com as consequências do processo aberto na Espanha por suspeita de fraude e corrupção em sua transferência para o Barcelona. Acha ruim ficarem falando de coisas negativas, que já foram comprovadas, segundo ele. “Não gosto que fiquem pegando no meu pé”, disse a um dos seus “parças”.

A nova polêmica no processo surgiu com a queixa do grupo DIS na Audiência Nacional da Espanha. Os investidores alegam que tinham 40% dos direitos econômicos de Neymar, quando o craque se transferiu para o Barça, e foram jogados para escanteio.

O DIS alega que havia recebido R$ 20,8 milhões dos R$ 59 milhões que o clube espanhol pagou ao Santos. Mas, como o clube espanhol reconheceu mais tarde que o valor real da negociação foi de R$ 299,5 milhões, o DIS teria direito a R$ 121,6 milhões e não apenas R$ 20, 8 milhões.

Os investidores garantem que houve encenação por parte do estafe de Neymar e daí a queixa na Justiça da Espanha, que deve intimar o pai, a mãe e empresários ligados ao craque para depor em Barcelona. A intimação aos familiares, que ainda não ocorreu, desmontou Neymar.

E na quarta-feira, a preocupação se tornou irritação com a boa marcação colombiana, a atuação irregular do árbitro Enrique Osses e com os altos e baixos dos companheiros – ele reclamou de inúmeros passes errados.

Por causa de tudo isso, xingou os rivais várias vezes durante o jogo, reclamou mais do que normal – falou palavrões cabeludos mesmo para os colombianos. No fim, com a derrota confirmada e o fato de estar fora do próximo jogo por suspensão, veio a explosão e a sexta expulsão em sua carreira, talvez uma das mais difíceis de sua vida.

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