Procurador de Amoroso força a barra

Nivaldo Baldo, procurador de Amoroso, está em Tóquio, assistindo ao Campeonato Mundial. Chegou há quatro dias e sua presença não tem a ver apenas com a vontade de assistir partidas. É um lance a mais na difícil negociação de um novo contrato com o São Paulo. Amoroso tenta um novo contrato com o time paulista desde o término da Libertadores, em julho. Ele e Baldo fizeram ver ao São Paulo que tinham ofertas de clubes brasileiros e de outros países. O clube, fiel ao seu estilo lento de negociar, disse que era cedo para tratar do assunto. Que o contrato de Amoroso termina em 31 de dezembro e que a conversa seria realizada depois. Baldo insistiu várias vezes e não teve retorno. Quando o São Paulo achou que havia chegado a hora, Baldo decidiu que a hora havia passado. Suspendeu as negociações para um novo contrato quando faltavam 20 dias para o Mundial. Disse que o jogador precisava ter a cabeça livre para pensar apenas no título e repetiu que havia muitas propostas. Amoroso passou a repetir o discurso de Baldo, mas em tom mais leve. Adota a tática do ?morde e assopra?. Ora diz que tem muitas ofertas, ora diz que não gostaria de trocar o São Paulo por nada deste mundo. Descarta sempre a possibilidade de aceitar uma oferta de clube brasileiro. E repete infinitamente que gostaria de um contrato de três anos para se estabilizar. O presidente Marcelo Portugal Gouvêa diz, com ironia, as mesmas frases de Baldo. ?Se ele quer negociar depois do Mundial, não posso fazer nada. Vamos esperar para ver o que acontece?. Um elemento complicador na negociação é o mau relacionamento que se criou entre Nivaldo Baldo e Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol. Cunha era contra a chegada de Amoroso, a quem chamou de jogador de ?álbum de figurinhas?. Quando Nivaldo Baldo começou a usar as ofertas recebidas para apressar as negociações, Cunha disse que o São Paulo nunca seria refém de Amoroso ou de nenhum outro jogador. Baldo tem repetido que Amoroso assinou um pré-contrato com o FC Tokyo, o que não tem muita legalidade e não obriga as partes a respeitá-lo. O São Paulo, que oferecia um contrato de dois anos a Amoroso, aceita agora um de três, que daria a garantia com que Amoroso sonha. Aceitaria dar um bom aumento de salário, mas nada que rompa os parâmetros do clube. Sabe que não tem possibilidade alguma de competir com uma oferta de times europeus ou japoneses. ?Se vier uma oferta boa, ele sai?, simplifica Marcelo Portugal Gouvêa.

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