Professor Júnior já ensina o Corinthians

Primeiro veio a orientação verbal. "Rapaziada, vamos mandar a bola lá no segundo pau", disse Júnior, quase no final do treino de hoje, o primeiro seu no comando do Corinthians. Um, dois, três cruzamentos e o ensaio da jogada não rendia o esperado. Foi nesse momento que o novo treinador corintiano mostrou a primeira peculiaridade de seu estilo. Ao contrário de seus dois antecessores (Parreira e Geninho), Júnior passou da teoria para a prática com a mesma desenvoltura. Pôs o pé sobre uma das bolas, foi até a posição de cruzamento e...pimba, a lançou no local exato. Pelo menos nesse início de trabalho, agora é assim no Parque São Jorge: sai o técnico, entra o professor de futebol. E olha que o ex-lateral-esquerdo da seleção brasileira não gosta de ser chamado de "professor". Mas não tem jeito. A forma como interage com o grupo torna a expressão quase inevitável. Em seu primeiro contato com os atletas, Júnior foi didático. Orientações sobre posicionamento, passe, arremate, enfim, detalhes básicos, próprios de escolinhas. "Não acho que o respeito se traduza pela utilização dessa nomenclatura (professor). É mais uma coisa de atitude no dia-a-dia", explicou. "Mas é claro que, sempre que for possível, vou tentar passar um pouco da minha experiência para eles." Tamanha preocupação com fundamentos revela o estilo de jogo que Júnior tentará impor ao Corinthians. Se a idéia for assimilada, os torcedores verão uma equipe com bom toque de bola, rápida na ligação meio-campo/ataque e criativa. "Não tem muito o que inventar", assegurou. Porém, faz questão de lembrar que a torcida terá de esperar um pouco. "O ideal seria unir o apoio com a paciência. Já detectamos alguns problemas, sobretudo na parte ofensiva, e isso não se corrige do dia para a noite." Enquanto explica, Júnior já revelou que conta com um atacante "matador" na próxima temporada. Reação - O estilo de Júnior provocou dois tipos de reação. A primeira foi uma mistura de admiração e constrangimento, sobretudo daqueles mais jovens que não conseguiam cruzar a bola no local determinado. A segunda foi de empolgação com a habilidade do comandante. Desse segundo grupo faz parte o meia André Luiz. "Eu não acho que esse ou aquele deva ficar intimidado. Muito pelo contrário. Ver o técnico fazer algo é um motivo a mais para motivar o jogador", afirmou. "É aquela história: pô, se ele (o técnico) consegue, o cara se motiva ainda mais para continuar tentando, até acertar."

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