Revista Careta | Biblioteca Nacional
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Projeto busca recursos para 'reviver' história das mulheres no futebol brasileiro

Museu do Futebol de São Paulo pretende celebrar os 100 anos da modalidade feminina no Brasil com um audioguia

Raul Vitor, especial para O Estadão

08 de dezembro de 2020 | 08h00

O futebol feminino foi proibido por quase 40 anos no Brasil. Essa restrição, feita por um decreto-lei nacional do então presidente Getúlio Vargas, em 1941, além de fazer com que o desenvolvimento da modalidade fosse interrompido, fez com que as histórias de diversas jogadoras se perdessem no tempo. Com o objetivo de reverter essa realidade e resgatar momentos apagados da modalidade, o Museu do Futebol está em busca de recursos para lançar o projeto Minha voz faz História, que pretende celebrar os 100 anos do futebol feminino no País. 

"Essa é uma oportunidade de devolver aos brasileiros e brasileiras uma parte considerável de suas histórias. Por vezes, naturalizamos a ideia de que as mulheres não participaram da história, não foram protagonistas, não viveram episódios e isso não é uma verdade", avalia Aira Bonfim, pesquisadora do Futebol Feminino.

O projeto consiste na criação de um audioguia que narrará a história de mulheres pioneiras no futebol, como a da primeira-dama Jandira Café, companheira de João Café Filho, que assumiu à presidência do Brasil após Getúlio Vargas cometer suicídio. Ela vestiu a camisa do Centro Sportivo Natalense, em 1920. 

"Essa construção nos permite narrar a história de mulheres de 100, 80 e 60 anos atrás. Todas elas presentes de norte a sul e leste a oeste do país. Mulheres da elite carioca, mulheres nordestinas, mulheres pretas e suburbanas. Todas elas relacionadas a um dos eventos mais importantes do nosso País, que é a identificação do brasileiro e da brasileira com o futebol", afirma Aira. 

Mas para que a proposta saia do papel, o Museu precisa captar R$ 80.600,00 até o dia 20 de dezembro. Isso porque o projeto recebe apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e essa meta de arrecadação é uma contrapartida para que o financiamento bancário seja realizado. A cada R$ 1 doado, o banco dobra o valor. "Já temos 125 doadores e quase 50% dos recursos arrecadados", afirma Renata Motta, diretora do Museu do Futebol.

"A diversidade no futebol é um aspecto importante para o Museu. Desde 2015, temos acompanhado os movimentos da sociedade em relação ao futebol feminino e integrado cada vez mais o tema às posições. Foi nesse contexto que lançamos o projeto Minha voz faz História", acrescenta a diretora.

O Museu do Futebol servirá de acervo para que essas histórias sejam registradas e se tornem acessíveis. Aliás, a acessibilidade é uma das palavras-chave desse projeto. "Queremos que as trajetórias dessas mulheres no futebol sejam escutadas em outras plataformas de forma independente. Além de ampliar a visibilidade do futebol feminino, queremos fortalecer a modalidade como experiência esportiva, cultural rica e diversa. Não há um único futebol, mas vários futebóis", avalia Renata.

PELO MUNDO

O primeiro registro de jogo de futebol com mulheres vêm da Inglaterra, berço da versão masculina também. É datado de 1898, em Londres. Trata-se de partida entre a seleção local contra seu par da Escócia. No Brasil, entre os anos de 1908 e 1909, há registros de partidas mistas, com homens e mulheres. O blog Futebol Interativo, que aborda o assunto, informa que o primeiro jogo de futebol feminino no Brasil foi realizado em 1921, na zona leste de São Paulo, entre as senhoritas dos bairros Tremembé e Cantareira (hoje Santana).

A primeira Copa do Mundo foi realizada em 1991, na China. Na edição, o Brasil ficou em nono lugar. Nos Jogos Olímpicos, o futebol feminino estreou em 1996, em Atlanta.

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