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Antero Greco
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Projeto "Chama o Neymar"

O futebol do Brasil tem duas disputas internacionais de peso entre junho e agosto: a enésima Copa América, com os costumeiros participantes, e a Olimpíada no Rio. A CBF enviará seleções para representar o esporte pátrio em ambas. A comissão técnica encabeçada pela dobradinha Gilmar Rinaldi/Dunga tem interesse em duplo sucesso, dentre outros motivos também por questão de permanência nos cargos. Muito bem. O projeto nas frentes de desafio pode resumir-se ao mote: Chama o Neymar!

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2016 | 03h00

Repare como a discussão maior, em termos de estratégia da turma da amarelinha, tanto para a competição nos EUA como para o festival poliesportivo, se concentra na presença do astro do Barcelona. Parece que o sucesso nas empreitadas depende dele. Sem o camisa 10, despontará fiasco na certa. Daí a insistência para convencer o clube catalão a liberar o moço.

Neymar é extraordinário, e sonso quem negar que se trata da maior revelação das bandas de cá em mais de uma década. Indesmentível que tenha assumido – com méritos – a condição de protagonista. Sem dúvida, com ele em campo as chances de bom papel aumentam. Lamenta-se quando, por diversos motivos, precisa ausentar-se.

Mas vamos com calma: a aporrinhação da CBF para cima do Barça está ficando constrangedora. O clube espanhol bate o pé na determinação de dar alvará para um campeonato só, de preferência os Jogos, pois serão depois das férias regulamentares. Ou seja, não atrapalhará além da conta o planejamento do técnico Luis Enrique para a temporada 2016-2017 na Europa.

E o Barcelona está certo. Em primeiro lugar, Neymar faz parte da elite do futebol e não se deve expô-lo a variados riscos, como a sobrecarga no calendário que representam Copa América e Olimpíada. Neymar não custa dois tostões; ao contrário, é caro pra chuchu. Representa tanta grana que até agora o Fisco da Espanha está a cobrar imposto por dinheirama que rolou por fora na transação para contratá-lo.

No mundo sofisticado dos negócios da bola, seleções nacionais apitam cada vez menos. Elas viraram estorvo para a rotina dos clubes. É fato, e nem entro na discussão de conceitos como pátria de chuteiras e outros temas bacanas e ultrapassados. Não faz sentido liberar de mão beijada para confederações um sujeito que representa milhões de euros, que é dinheiro de rico.

Acabou a moleza de CBF, por exemplo, mandar fax para uma agremiação qualquer e avisar: "Exigimos Fulano de Tal a nossa disposição para o período de tanto a tanto. Passar bem e obrigado." Se houve chiadeira, entrava a Fifa para decidir – e em geral o fazia em favor de sua afiliada. Agora, ela tira o corpo fora e, bem mureteira, transfere o desfecho para entendimento paralelo. Nem lábia do cartola ladino funciona mais. Até o fax virou peça de museu.

Ao que tudo indica, e salvo reviravoltas ou argumento milagroso, Dunga terá de contentar-se com Neymar num tira-teima ou noutro. Fosse ele, optava pela Copa América, fundamental para a própria sobrevivência como treinador da seleção, pois está num ‘balança mas não cai’ danado. De lambuja, será uma etapa de aprimoramento para a sequência das Eliminatórias do Mundial de 18.

Os Jogos são barca furada. Seleção Olímpica por aqui sempre esteve relegada a segundo plano. Em geral, monta-se um grupo em cima da hora e a moçada embarca na base do seja o que Deus quiser. A conversa, em geral, não sai do ramerrão, de que, desta vez sim, virá o desejado ouro inédito. O empenho por Neymar prova que não existe um plano amplo de equipe, mas pontual.

Observação crucial: teria Neymar tamanha gana pela seleção? Pois vira e mexe fica fora de momentos decisivos. Melhor pensar em opções.

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