Projeto de mudança do distintivo causa polêmica

'Sou pela tradição. Não se deve mexer em um distintivo tão vitorioso como o nosso', reclama dirigente

Cosme Rímoli, Jornal da Tarde

25 de janeiro de 2008 | 21h16

O projeto de mudança do distintivo do Corinthians promete incendiar o Parque São Jorge. A Gaviões da Fiel adorou saber que a diretoria quer homenagear os torcedores na camisa do Corinthians - as estrelas pela conquistas do Mundial de 2000 e dos quatro títulos brasileiros devem sumir, para dar lugar a uma coroa e a palavra Fiel, o que representaria os corintianos. A torcida organizada exige que a proposta seja colocada em votação no Conselho Deliberativo do clube. E quer ver que conselheiro terá coragem de vetar a idéia.  Veja também: Felipe admite se inspirar no rival Rogério Ceni Corinthians: Mano Menezes reforça a cautela para o clássico "Nós ficamos surpresos, mas muito satisfeitos. O presidente Andrés (Sanchez) foi torcedor de verdade e sabe o que a Fiel significa para o clube. Mas é o seguinte: queremos que essa proposta saia do papel e seja colocada em votação. Não queremos servir apenas para propaganda da diretoria. Se existe a vontade de verdade, a proposta tem de ser colocada logo para o Conselho Deliberativo votar. Queremos ver quem vai ter coragem de votar contra nós", declarou o presidente da Gaviões, Hebert Ferreira. Uma pessoa influente no Conselho Deliberativo já antecipa o seu ‘não’ à proposta. O presidente do STJD, Rubens Approbato Machado, não deixa dúvida sobre o que pensa da idéia. "Sou pela tradição. Não se deve mexer em um distintivo tão vitorioso como o nosso. Respeito a torcida, mas não acho certo tirar as estrelas que representam conquistas históricas para homenagear os torcedores. Sou sincero. Esta é a minha opinião e vou mantê-la", avisou o conselheiro do clube. O candidato derrotado por Andrés Sanchez na eleição para a presidência, Paulo Garcia também não deixa dúvida sobre a sua postura diante da mudança. "Não gostei. Para mim, está muito mais para populismo do que para jogada de marketing. O nosso clube vai completar cem anos, é tradicional. Não se pode mexer em algo tão forte como o nosso distintivo só por populismo", defendeu. O vice-presidente de marketing do clube, Luiz Paulo Rosenberg, garante que a idéia não partiu do presidente Andrés Sanchez. "Nós queremos homenagear a nossa torcida, que sempre foi a nossa maior estrela. Para ficar claro que ninguém queria ter ganho político com a mudança, basta dizer que a idéia veio da minha agência de criação. Não foi o Andrés, não foi ninguém ligado politicamente a ele. A proposta foi da minha equipe e ele adorou. Só isso", revelou o dirigente. O caminho para o distintivo ser mudado é até bem simples. Basta um conselheiro levar a proposta para ser apreciada pelo Conselho Deliberativo. Os conselheiros, então, votarão para decidir se a homenagem à torcida será incorporada à camisa ou não. Quem pagar mais leva Enquanto a polêmica sobre a mudança do distintivo cresce, a firmeza da diretoria em relação à transmissão das partidas do Corinthians pela Série B do Brasileiro impressiona. "Vou resumir a situação: nós temos um compromisso de transmissão das nossas partidas pelo Brasileiro da Série A pelo Clube dos 13. Pela Série B não temos nada assinado. Portanto, só vão mostrar os nossos 38 jogos se pagarem o que queremos", explicou Rosenberg. "Não interessa se é a Globo, a Record ou a Bandeirantes. O que queremos é dinheiro. O Brasil vai parar para acompanhar nossos jogos, então isso terá de ser muito bem pago. Ou então ninguém mostra", avisou o vice-presidente de marketing corintiano.

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