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Projeto prevê banir os maus árbitros já em 2017

Plano nacional tem o objetivo de tentar melhorar a qualidade e estuda afastar quem não atingir bom nível

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 07h00

A Comissão Nacional de Arbitragem planeja lançar na primeira quinzena de dezembro um plano nacional com o objetivo de melhorar o nível dos integrantes da área no futebol brasileiro. Pelo projeto, árbitros, assistentes e analistas de desempenho vão passar a ser treinados e avaliados com base em critérios mais rígidos, e quem não apresentar o nível desejado de qualidade será afastado do quadro nacional e até da Fifa.

O trabalho é uma tentativa de dar resposta ao mau momento da arbitragem – a cada rodada do Brasileirão muitos erros estão sendo cometidos – e está sendo elaborado pelo coronel Marcos Marinho de Moura, que completa hoje um mês à frente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF. 

Homem de confiança do presidente da entidade, Marco Polo Del Nero – o coronel comandou a arbitragem na Federação Paulista entre 2005 e janeiro desde ano – Marinho substituiu o desgastado Sergio Corrêa na CBF e, desde que chegou, está debruçado sobre o projeto.

Marinho defende os árbitros, atualmente sob uma saraivada de críticas. Apesar de dizer que são bem preparados, reconhece que estão longe do ideal. “Existe um espaço muito grande ainda para a gente melhorar. Pelos próprios resultados que vemos hoje, é inegável que existe certa deficiência na aplicação da regra em termos de uniformidade, na parte disciplinar e até na parte interpretativa’’, disse, em entrevista ao Estado.

Ele admite ter constatado que, por mais boa vontade que tenham, alguns têm dificuldade de fazer bom trabalho. “Não têm o talento que a gente quer.’’

Essa notória deficiência está balizando o projeto, cujo formato ainda não está fechado. Mas a CBF estuda participar da formação dos árbitros e assistentes desde a base – atualmente são as federações estaduais as responsáveis pela formação, mas muitas não têm os cursos necessários. “Vamos buscar descobrir talentos. Se unir talento, com treinamento e observação, num período de três a quatro anos você tem um árbitro de qualidade, de nível’, acredita.

A ideia é implantar o novo método já em 2017 e a formação e o aperfeiçoamento dos árbitros irá além dos ensinamentos técnicos e da preparação física e psicológica. De acordo com Marinho, será feito um trabalho de monitoramento, de análise de desempenho, com base em vídeos, relatórios, observações in loco e estabelecimento de critérios que deverão ser cumpridos. E quem não atingir o nível mínimo estabelecido, será rebaixado – o que significa sair do quadro nacional e também da Fifa, se for o caso.

“Vamos criar uma central para que possamos acompanhar todos os jogos e que todos (árbitros e assistentes) tenham no máximo em 48 horas um feedback do que foi a sua atuação, o que precisa ser melhorado, com imagem para ilustrar. Aí, vai ter cobrança muito mais efetiva, porque nós vamos ter uma análise de desempenho real’’, afirma o chefe da arbitragem.

Marinho promete ser rígido na avaliação, e assegura que o protecionismo não terá vez no futuro. “Ao chegar ao final do ano, se aquele árbitro não correspondeu, cai de ranking e pode até sair do quadro da CBF. Tudo com análise de desempenho. Quem não estiver dentro das nossas expectativas vai sair.’’

QUADRO BRASILEIRO NA FIFA VAI MUDAR

A relação de árbitros e assistentes brasileiros que fazem parte do quadro da Fifa deverá mudar em 2017. A revelação foi feita pelo coronel Marcos Marinho, chefe da Comissão de Arbitragem da CBF. “A gente está analisando, mas vai ter alguma coisa sim.’’

Este ano não ocorreram mudanças entre os árbitros - foram os mesmos de 2015. Os dez brasileiros que apitam com o distintivo da Fifa são: Anderson Daronco, Raphael Claus, Péricles Bassols, Luiz Flávio de Oliveira, Ricardo Marques Ribeiro, Leandro Vuaden, Wilton Pereira Sampaio, Héber Roberto Lopes, Dewson Freitas e Sandro Meira Ricci. 

 

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Coronel Marinho critica a falta de critério da arbitragem

'Pequenos erros se potencializam na fase decisiva', afirma

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 07h00

O coronel Marcos Marinho define a onda de reclamações contra os árbitros no Campeonato Brasileiro como uma “estratégia de pressão’’ utilizada por dirigentes, treinadores e atletas. “É uma fase decisiva da competição em que todos querem tirar proveito. Pequenos erros se potencializam, ficam uma coisa muito maior’’, disse.

O chefe da arbitragem da CBF, porém, entende que cabe aos juízes e assistentes se precaverem. “Os árbitros precisam ficar mais atentos também, se concentrar na partida, observar tudo o que possa criar uma situação desfavorável a eles.’’

Marinho admite que a falta de critério é um dos aspectos que mais preocupam a comissão e deixa transparecer dúvida ao ser questionado se os árbitros se preparam bem para um jogo. “Existe orientação e todos sabem o que tem de fazer. É difícil checar se estão fazendo. Normalmente você vai ver alguma coisa com o desempenho na partida.’’ 

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