Promotor não entende viúva de Serginho

Duas questões continuam sem resposta para os encarregados, na Justiça, do caso Serginho: as razões para o comportamento da viúva do jogador, Helaine Castro, que isenta completamente de culpa o São Caetano, e maior esclarecimento sobre os seguros de vida que o zagueiro contratou."Não posso acreditar que a esposa esteja de braços dados com os responsáveis pela morte do marido", diz o promotor Rogério Leão Zagallo, da 5ª Vara do Júri. "Estranho bastante que a família jamais tenha me procurado. Parece que estou mais preocupado em salvaguardar a imagem do Serginho do que os próprios familiares. Não entendo a postura."Para Zagallo, que isenta o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de responsabilidade no caso, a única explicação possível é a família ignorar o que aconteceu exatamente no relacionamento entre o jogador, o clube e o Incor. "O doutor Edimar Bocchi (responsável pelos exames de Serginho no Incor) nunca teve contato algum com a esposa. Minha interpretação possível da postura atual dela é a de que tenha total ignorância, desconhece profundamente o que está acontecendo", afirma o promotor.O promotor Zagallo e o delegado Guaracy Moreira Filho, do 34º DP, requisitaram informações às seguradoras - Banespa e BankBoston - para avaliarem melhor o significado das garantias feitas na nova apólice de seguro de vida feita pelo jogador. Serginho tinha um seguro de vida do Banespa de São Caetano do Sul, no Paço Municipal. Em julho, depois de fazer os exames no Incor e receber a informação de que corria risco de morrer se continuasse no futebol, teria aumentado o valor da apólice, cuja beneficiária era Helaine. Além disso, contratou um segundo seguro, no BankBoston, em 5 de outubro, 22 dias antes de morrer no gramado do Morumbi. O beneficiário dessa segunda garantia é seu filho Paulo Sérgio, de 3 anos."Esperamos mais informações para poder falar. Se confirmados, os seguros são mais um indício de que Serginho tinha uma patologia e sabia disso", explica o promotor Zagallo. "Se a família se preocupou em fazer uma apólice de seguro, como não se preocupou em tirá-lo do futebol?"

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