JEAN-PAUL PELISSIER | REUTERS
JEAN-PAUL PELISSIER | REUTERS

Proprietária quer vender o Olympique de Marselha

Objetivo é recuperar investimentos de € 40 milhões

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2016 | 07h00

Um dos clubes de futebol mais tradicionais e com maior torcida da França, o Olympique de Marselha, está à venda. Depois de dois anos de estudos sigilosos realizados pelo Banco Rothschild, a atual proprietária, Margarita Louis-Dreyfus, anunciou que colocará fim à sua participação no único campeão francês da Liga dos Campeões, que herdou do marido e do qual determinou os rumos nos últimos 20 anos.

Depois de injetar mais de € 40 milhões nos últimos cinco anos, a família espera recuperar o investimento, mas o preço da venda não foi fixado.

As especulações sobre o valor do clube são as mais variáveis possíveis e vão de € 50 milhões a € 100 milhões, dependendo do estudo econômico considerado. Só o centro de treinamentos Robert Louis-Dreyfus é avaliado em € 20 milhões, mas esse é um dos problemas do clube: ele não tem patrimônio.

O estádio do qual joga, o Vélodrome, um colosso para 48 mil espectadores inaugurado em 1937 e recém-reformado pela prefeitura de Marselha para abrigar jogos da Eurocopa deste ano, em junho, é público.

Para utilizá-lo, o clube paga um aluguel anual baixo, de € 4 milhões, e fica com a maior parte da bilheteria dos jogos. Assim como alguns clubes brasileiros, o Olympique ainda não conseguiu comercializar o nome de seu estádio no modelo naming rights, e também não tem essa fonte de receitas.

Sua força, dizem economistas do esporte, está no valor de sua marca. Embora superado ao longo dos últimos anos por Lyon, Bordeaux e Paris Saint-Germain (PSG), nova força hegemônica do futebol francês, o Olympique continua a ser o clube mais popular e o que gera maior engajamento e fanatismo entre torcedores, segundo a agência Repucom, que analisa a força das marcas de futebol.

Se não está mergulhado em dívidas graças à sua proprietária, o clube ainda assim terá de buscar um novo dono. A única coisa certa até aqui é o perfil do potencial comprador: o novo OM, como o clube é chamado na França, terá um bilionário mecenas, um investidor “oportunista” – que o compre, o valorize e o revenda – ou um fundo de investimentos como o que gerencia o arquirrival PSG. A questão é quem será o novo proprietário do clube.

Nas últimas semanas se especulou que um pool de investidores estrangeiros estaria se organizando para formalizar uma oferta pelo gigante do sul francês. Entre os supostos interessados estariam árabes – a exemplo do PSG, que tem um fundo do Catar como proprietário – e pelo menos um magnata europeu. As portas da proprietária do Olympique, entretanto, seguirão abertas para os investidores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.