Prorrogação da CPI divide deputados

A decisão dos líderes partidários de limitar em 15 dias o prazo para que a CPI da CBF/Nike realize os depoimentos criou mais um racha entre seus integrantes. Além de se dividirem entre os que estão ao lado das federações e os que desejam desvendar as irregularidades ligadas ao futebol, eles agora divergem sobre os procedimentos que adotarão no curto espaço de tempo de que dispõem para trabalhar. O deputado José Rocha (PFL-BA), por exemplo, concorda com a iniciativa dos líderes, mas julga essencial que a comissão arrume um tempo para ouvir o ex-ministro dos Esporte, Pelé. Seu argumento é o de que o "atleta do século" deve se manifestar sobre as suspeitas de irregularidades na empresa Pelé Sports & Marketing, que mantém em sociedade com Hélio Viana.Já o presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), acha que a economia de tempo torna a presença de Pelé dispensável. Rebelo disse que prioriza as investigações de denúncias ligadas às federações, aos passaportes falsos utilizados por jogadores e ao tráfico de jogadores adolescentes para o exterior. A CPI quebrou 62 sigilos fiscal e bancário de pessoas e empresas. Foram convocadas 94 pessoas das quais 45 já prestaram depoimentos.Os deputados Doutor Rosinha (PR) e Pedro Celso (DF), ambos do PT, defendem que os trabalhos da CPI ficarão comprometidos se não houver uma nova prorrogação. Segundo ele, o prazo de 45 dias estipulados pelos líderes, dos quais apenas 15 poderão ser ocupados por depoimentos, está em total desacordo com a pauta de trabalhos. No mês de maio, os deputados da comissão terão de se limitar ao trabalho fechado, de preparo do relatório. No entender de Pedro Celso, além de Pelé, eles deveriam convocar novamente o empresário Juan Figer.Seria ainda necessário, no entender do deputado, dispor de tempo para ouvir o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que vai depor na terça-feira, no encerramento das investigações. Doutor Rosinha lembra que a limitação do tempo traz consigo outro agravante: o de que seus colegas ligados às federações vão fazer o possível para emperrar os trabalhos. Ou seja, vão se manifestar durante as sessões da CPI sobre assuntos que pouco dizem respeito ao que está sendo investigado. "Temos agora de enfrentar o tempo e a tropa de choque da CBF, prevê o deputado?. Para ele, a situação terminou por enterrar as audiências públicas que seriam realizadas nos Estados, quando se esperava proceder a sindicâncias na federação e nos clubes suspeitos de cometer irregularidades. "Estou convencido que essa seria uma das melhores fase de nosso trabalho", ressalva o parlamentar. Otimista, o deputado Pedro Celso diz que o "visível prejuízo" que a CPI enfrentará poderá comover os líderes ao ponto deles concederem uma nova prorrogação nos trabalhos. Silvio Torres e José Rocha acham que essa expectativa é a expectativa é boa, mas duvidam que ela venha a se concretizar.

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