Carlos Succo/ EFE
Carlos Succo/ EFE

Protesto de professores no Chile pode interferir em jogo do Brasil

Manifestantes marcam ato nacional para quarta-feira

ALMIR LEITE E GONÇALO JUNIOR, Estadão Conteúdo

16 de junho de 2015 | 16h29

Centenas de professores chilenos fizeram um protesto na manhã desta terça-feira, em Santiago, contra a proposta de reforma no sistema de ensino do País. Eles estão em greve desde 1º de junho e marcaram uma grande manifestação em nível nacional para esta quarta-feira, dia em que o Brasil enfrentará a Colômbia no estádio Monumental, na capital do Chile, em rodada do Grupo C da Copa América. A manifestação será a partir das 11 horas. O jogo da seleção está marcado para as 21 horas.

Os professores, da rede de ensino público chilena, rejeitam vários itens da proposta enviada pela presidente Michelle Bachelet ao Parlamento, principalmente o que condiciona aumento salarial a avaliação periódica de desempenho. Os docentes teriam de passar por exames para poderem ser promovidos e receber aumento que, no primeiro momento, pode chegar a 28%.

No protesto desta terça, os trabalhadores da educação tomaram a frente do ministério com apitos, faixas - uma delas chamava Bachelet de "mentirosa" por ter enviado ao Congresso projeto diferente do que foi discutido com a classe - e até uma bateria. Ele penduraram sapatos na porta do ministério, que fica numa área nobre da capital chilena, numa alusão à "traição" de que se consideram vítimas.

O vice-presidente da área metropolitana do Colégio de Professores, Raúl Quezada Valenzuela, criticou o governo por, de acordo com ele, "estar jogando os professores contra o povo". "Queremos deixar aqui nosso repúdio ao projeto e também à negativa do ministério da Educação de admitir que 97% dos professores rejeitaram a proposta", disse. "O governo quer passar para a população a impressão de que nossa paralisação é apenas pela questão salarial. É muito mais do que isso, não é só sobre o aspecto econômico. É em relação às condições de trabalho."

A seleção chilena, anfitriã da Copa América, vem demonstrando apoio à causa dos professores. Na semana passada, o time recebeu uma comissão de professores, no que foi entendido como manifestação de apoio à categoria. O técnico Jorge Sampaoli chegou a dizer que os protestos dos professores são "coerentes e necessários".

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