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Prova de resistência

O Brasileiro coloca em teste fôlego e capacidade de elencos. E ainda desautoriza cronistas

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 04h00

Oba, a temporada agora começa a ficar bacana. Acabou o período de testes, foi-se a fase de observações, encerraram-se as picuinhas de rivalidades estaduais. Chegou o momento de ver quem de fato tem força, elenco, capacidade, resistência no plano nacional. E, se possível, qualidade também. Largou o Brasileiro 2018, 16.º da era moderna de todos contra todos, turno e returno e pontos corridos. O melhor faz a festa do título e os quatro piores caem. Prático.

Não há como evitar a comichão de avaliar perspectivas dos principais concorrentes – com o risco de errar. Estava lá o Corinthians, campeão de 2017, para desmentir prognósticos. Não aparecia nas prévias como postulante ao troféu, fez primeiro turno memorável e beliscou o hepta com folga.

A trupe alvinegra inicia caminhada novamente sem liderar preferências. O grupo é mediano, se comparado com outros concorrentes com investimento maior, tampouco são vastas as opções para Fábio Carille. No entanto, leva vantagem de ter base e forma de jogo preservadas, bem como o comandante. Há um sistema definido, e eficaz, os jogadores sabem o que o treinador pretende e executam com critério e afinco. No Paulista, funcionou, embora com solavancos.

A lista de pretendentes a destronar o Corinthians tem um trio de respeito: Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras. Os dois primeiros enfrentaram-se sábado à tarde, em Belo Horizonte, na abertura dos trabalhos, com 1 a 0 para a turma do Sul. Renato Gaúcho e Mano Menezes dispõem de alternativas acima da média, sempre a se levar em conta parâmetros brasileiros. Não se trata aqui de equiparar a Real Madrid ou Bayern. A Europa é outro mundo da bola.

Idem para a esquadra verde. Roger Machado tem em mãos o grupo mais dispendioso, como já havia ocorrido com seus antecessores Baptista, Cuca e Valentim. E com desafio idêntico aos colegas que falharam: transformar a variedade em conjunto competitivo. A cobrança de hoje será maior do que a do ano passado, com a agravante de que o título paulista ficou engasgado.

Roger e seus pupilos começaram bem, com resultados expressivos no Paulistão. As falhas vieram na hora H. O time deixou no ar sensação de que lhe falta ainda a centelha de vencedor, o toque que diferencia o vitorioso do simples participante. Como a Série A é uma prova de resistência e regularidade, tem chance de se sair muito bem.

Não se pode desprezar o Flamengo nesse bloco de cima, apesar de interrogações. A principal delas: quem será o responsável pela tarefa de organizar a casa? Por ora, cabe ao interino Maurício Barbieri, na ausência de melhor nome. Terá respaldo da direção para aguentar o tranco, quando surgir?

Vasco, Fluminense, Botafogo correm por fora. Não são confiáveis, mesmo com o mérito de superarem obstáculos. Em princípio, entram para fazer boa figura e evitar o fantasma da Série B. Categoria em que se situam Vitória, Bahia, Ceará, América-MG, Sport, Chapecoense e Paraná.

Há um bloco que pode funcionar como fiel da balança ou do qual saia a surpresa do ano. Santos e Atlético-MG puxam a fila, seguidos de perto por São Paulo, Atlético-PR e Internacional de volta à elite. Esses mexeram muito, tanto na maioria das comissões técnicas como no perfil da escalação. Buscam afirmação.

Para seguir de perto as peripécias tricolores. Diego Aguirre chegou na reta final do Estadual, está na etapa de conhecimento dos atletas e tem recebido mais gente, o último a chegar deve ser Everton, de saída do Flamengo. Imprevisível cravar qualquer coisa para o São Paulo, há uma década à procura da rota certa para retomar o papel de protagonista.

O Brasileiro costuma desautorizar cronistas. Que bom. Tomara faça isso de novo. E divirta o público.

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