Psicologia, arma de Oswaldo no Corinthians

Quando o moral dos atletas está em baixa, a habilidade já não resolve mais os jogos e tende à ineficácia qualquer sistema tático. Oswaldo de Oliveira, em seus primeiros dias no comando do Corinthians, deixa em segundo plano esquemas, estratégias e se concentra no lado psicológico dos atletas. Hoje, em um longo treino pela manhã (mais de duas horas), exigiu bastante dos jogadores, mais elogiou que criticou, fugiu ao seu estilo gritando, gesticulando e conversando muito com o elenco, o tempo todo. "Minha idéia é recuperar a auto-estima desse time. No momento, o que eles precisam é levantar a cabeça", justificou. Oswaldo deve ter saído de casa determinado a colocar em prática alguns de seus conhecimentos de psicologia. Usou e abusou de suas técnicas na primeira parte do treinamento, quando promoveu uma disputa entre ataque e defesa. Para reforçar a confiança dos defensores, por exemplo, elogiava-os em todo e qualquer lance. Ele explica melhor isso: "Coloquei sempre mais atacantes que zagueiros. Porque aí, além de eles terem de se superar, qualquer jogada que ganhavam no treino, era uma conquista", conta. Em outra variante da receita para elevar o ânimo da equipe, os jogadores considerados reservas, casos de Vinícius, Jô, Coelho, recebiam atenção especial. Se acertavam, ganhavam os parabéns; se erravam, eram ternamente cobrados. Outros atletas, no entanto, foram perseguidos pelo técnico. O meia Samir parecia assustado após o treino. "Ele está dando um choque no Corinthians!" "Futebol ninguém daqui desaprendeu, e o Oswaldo sabe disso. Falta é uma injeção de ânimo na equipe", disse o ex-capitão Rogério, já confirmado para o jogo de quinta-feira, contra o Juventus. Outro que deve retornar ao elenco é o atacante Gil, recuperado de uma inflamação no púbis. O lateral-esquerdo Fininho deve ficar com a vaga, enquanto Pingo e Fabrício são os prováveis substitutos de Rincón e Fabinho, suspensos com terceiro cartão amarelo. Oswaldo de Oliveira cobrou a todo instante garra da equipe. Para ele, num momento de crise, a vontade, a "raça" dos atletas é a primeira a dar sinais de enfraquecimento. Em determinado momento do treino, Samir chutou ao gol, Fábio Costa espalmou e a bola, prestes a atravessar a linha de fundo, foi acompanhada pelos berros insistentes do técnico: "Tá em jogo, tá em jogo, não desiste Coelho! Pega a bola, pega, ela ainda não saiu, poxa!", reclamou por fim. A bola, aliás, estava bem longe do lateral-direito. O treinador chegou ao clube terça-feira. Encontrou um time devastado pelos maus resultados, na lanterna do Grupo 1 (com 5 pontos). Ainda assim, acredita que, se houver calma para desenvolver seu trabalho, o grupo tem totais condições de brigar pelo título. "Mas, no momento só estou preocupado em vencer o Juventus", afirmou.

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