Psicólogo vê trauma em Alex

O comportamento de Alex no jogo contra o Cruzeiro ainda provoca polêmica e é um episódio que todos no Palmeiras procuram minimizar. O jogador - que chorou compulsivamente após a partida - nega que tenha "amarelado", como insinuaram muitos palmeirenses e, principalmente, muitos anti-palmeirenses. O psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, no entanto, já acompanhou casos semelhantes com outros atletas e tem uma teoria: um jogo de futebol é metade com a cabeça, metade com os pés. Alex, em sua opinião, precisa superar o trauma de ter desperdiçado dois pênaltis numa mesma e decisiva partida para que ele não tenha reflexos no futuro. "Esse é um preço que muitas vezes o atleta pagará bem adiante, não na próxima partida. O choro compulsivo ao final da partida foi um reflexo desse trauma." A síndrome de Alex, na opinião de Goldberg, pode ser a mesma que acompanhou o Corinthians durante os 23 anos que o clube ficou sem conquistar títulos. O time começava bem os campeonatos, mas não reunia forças para manter o mesmo nível nos momentos decisivos. O problema tem o poder de abater e ao mesmo tempo irritar o atleta, que desconhece os motivos que o levam a ter esse comportamento. "O jogador tem dificuldade de assumir seu lado de herói. O choro compulsivo é um sinal disso", opina Goldberg.Alex nega que tenha tremido e até se irrita com a pergunta, mas admite que dois dias é muito pouco para esquecer o que passou no Mineirão. "Nessas horas a gente sempre aprende alguma coisa", disse. "Assim como eu já ajudei muitas vezes o time, desta vez eles me ajudaram com essa vitória". Alex lembra dos jogos contra o Corinthians nas semifinais da Libertadores da América do ano passado, que classificaram o Palmeiras, da vitória contra a seleção da Argentina no Pré-Olímpico do Paraná, no ano passado, e dos 3 a 1 contra a seleção principal da Argentina, pelas eliminatórias sul-americanas. "Quem tem boa memória lembra-se das vitórias e dos gols que já fiz em jogos importantes. Os números provam isso." No clube a contratação de um psicólogo está descartada, pelo menos no momento. "O Alex passou um momento difícil, mas é um jogador bem resolvido. Vinte minutos depois, no vestiário, ele já estava dando risada com o pessoal", disse o coordenador de futebol, Márcio Araújo. O goleiro Marcos, que defendeu três pênaltis e dedicou a classificação a Alex, diz que respeita o trabalho dos psicólogos, mas não consegue conter um comentário irônico: "Errar é do jogo. O psicólogo não vai nos falar em que canto bater o pênalti. Quem está fora, nunca erra." Superação - O zagueiro Alexandre apresentou-se no Palmeiras no mesmo dia de Celso Roth. Desconhecido, chegou desacreditado. Vinha do Vitória de Guimarães, clube português, e indicado por Marco Aurélio Moreira, técnico que deixava o Palmeiras de forma traumática. Alexandre superou as desconfianças e não apenas permaneceu no clube como tornou-se titular da zaga. No jogo contra o Cruzeiro, marcou um dos gols mais importantes de sua carreira. Na opinião de Goldberg, o zagueiro provou um grande poder de superação. "Quando cheguei aqui, fui o primeiro a dizer que teria de mostrar muito futebol para ganhar uma vaga no time.Até hoje é assim. O gol contra o Cruzeiro foi um dos mais importantes de minha carreira."

Agencia Estado,

01 de junho de 2001 | 18h49

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