Paulo Pinto/São Paulo FC
Paulo Pinto/São Paulo FC

Pulso firme e atitude em campo: Aguirre impõe seu estilo no São Paulo

Abalada por sucessivas decepções recentes, equipe do Morumbi vive bom momento e tenta se reerguer na temporada

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2018 | 07h00

Único invicto do Brasileirão depois de seis rodadas e sem perder há nove jogos, o São Paulo vive seu melhor momento na temporada (mesmo tendo caído recentemente na Copa do Brasil). O clima entre jogadores, comissão técnica, diretoria e até da torcida é de confiança, que estava abalada pelos sucessivos tropeços das últimas temporadas, inclusive a briga contra o rebaixamento no Nacional do ano passado. O clube começa agora a colher os primeiros resultados do trabalho exigente e do perfil provocador de Diego Aguirre, treinador uruguaio à frente da equipe desde março.

Hudson pede atenção para São Paulo obter primeira vitória fora de casa

O recado foi dado desde o início: com o novo comandante, ninguém é titular. E isso mudou a dinâmica das disputas por vaga. Adepto do rodízio no elenco, Aguirre passou a fazer testes e a dar oportunidades em todos os setores do time. O intuito é tentar aproveitar o que de melhor há no elenco. O risco, por outro lado, é uma possível lentidão para ter jogadores entrosados. “Aguirre deixou claro que tem um elenco, não tem titular ou reserva”, aponta o zagueiro Bruno Alves, que vem ganhando a confiança do treinador. “Essa rotatividade é importante para todos estarem preparados.”

Um dos primeiros desafios do treinador era ter em campo um time com uma postura diferente. E na avaliação do elenco, o time ganhou em atitude, se tornou mais “aguerrido” - trocadilho que se tornou comum desde a chegada de Aguirre no São Paulo. “Mudou a atitude do time”, avalia o volante Hudson. “A vitória no clássico (no último domingo, sobre o Santos, depois de quatro empates seguidos no Nacional) deu confiança e mostrou que o trabalho está sendo bem feito. Agora vamos dar sequência ao trabalho.”

O elenco também ficou mais enxuto. Atletas recém-promovidos da base, como o volante Paulo Henrique, foram emprestados para ganhar experiência. E outros, menos utilizados, devem pintar no time Sub-23 que disputará o Brasileiro de Aspirantes. Dos 33 atletas que Aguirre tem como opções no elenco atualmente, pelo menos cinco devem aparecer no time Sub-23 com mais frequência do que tem sido no principal.

Os treinos na Barra Funda também demonstram a forma como Aguirre tenta dar um espírito mais combativo aos jogadores. Os trabalhos de enfrentamento, marcação e movimentação são acompanhados de pedidos seus e dos membros de sua comissão técnica por mais intensidade e mais agressividade. “Temos colocado em prática o trabalho do Aguirre, que montou um time guerreiro. É mérito dele”, avalia o volante Jucilei. “Vamos tentar manter isso em todos os jogos para brigar pela parte de cima da tabela (do Brasileiro).”

Aguirre reconhece que ainda está longe de ter uma equipe ideal. Ajustes são necessários e até a atual sequência invicta mostra isso. Foram seis empates e três vitórias por 1 a 0 no período. Para o treinador, a atuação diante do Santos está próxima de um modelo que deve ser seguido pelo time, mas a finalização ainda é uma carência. 

“Ainda falta muito para termos o que considero um time ideal”, ponderou o treinador após a partida. “Mas foi perto do que procuramos. A parte da atitude, da vontade, da ordem tática. Mas temos que transformar nossas jogadas mais em gols, e trabalharemos para isto.”

O São Paulo enfrenta o América-MG neste domingo em Belo Horizonte pela 7.ª rodada do Brasileiro.

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