Natacha Pisarenko/AP Photo
Natacha Pisarenko/AP Photo

Punição ao River Plate por se recusar a jogar sairá dentro de duas semanas

Por conta do coronavírus, equipe argentina não entrou em campo neste sábado

Redação, Estadão Conteúdo

15 de março de 2020 | 14h44

O River Plate saberá em duas semanas qual será a sua punição por ter se recusado a disputar a partida contra o Atlético Tucumán, no sábado, pela primeira rodada da Copa da Superliga, o segundo torneio mais importante da Argentina. O clube decidiu suspender as suas atividades por tempo indeterminado por causa da pandemia do novo coronavírus, denominado Covid-19.

A partida estava marcada para o Monumental de Nuñez, estádio do River Plate. Quando a equipe de arbitragem e os representantes do Atlético Tucumán chegaram ao local, horas antes do horário marcado para o início do jogo, encontraram os portões fechados e não foram autorizados a entrar. Em seguida, o árbitro dispensou a equipe visitante de se deslocar ao estádio e deu o confronto por cancelado.

A atitude tomada pelo River Plate foi motivada pelo fato de Thomas Gutiérrez, jogador da equipe juvenil, ter estado sob suspeita de contaminação pelo Covid-19 - o resultado do exame a que o garoto foi submetido, porém, deu negativo. Assim mesmo, o clube resolveu ir em frente com a decisão de não disputar a Copa, enquanto todos os demais participantes decidiram jogar com portões fechados. Dois jogos foram realizados no sábado (entre eles a goleada por 4 a 1 do Boca Juniors sobre o Godoy Cruz) e quatro partidas estão programadas para este domingo.

Segundo o regulamento da competição, o River Plate pode ser declarado perdedor do jogo contra o Atlético Tucumán por 1 a 0, ter três pontos deduzidos da tabela de classificação e pagar uma multa. O clube vai apresentar a sua defesa para tentar evitar a punição, mas é pouco provável que tenha sucesso. E a situação pode ficar ainda mais complicada, já que no próximo sábado tem um compromisso contra o Talleres, em Córdoba, pela segunda rodada da Copa da Superliga. Caso mantenha de decisão de não jogar, estará sujeito a penas mais graves, a menos que o torneio seja suspenso até lá.

Os jogadores do River Plate demonstraram claramente o seu apoio à decisão do clube de não jogar enquanto não for superada a pandemia do coronavírus e vários atletas de outras equipes têm afirmado publicamente que não querem continuar atuando e que só o fazem porque são obrigados a isso. Até Diego Maradona, eterno inimigo do River Plate, declarou estar totalmente de acordo com a atitude tomada pelo clube.

Nesse cenário, pouquíssimos jogadores têm se mostrado favoráveis à continuação do torneio. Um deles é o volante colombiano Jorman Campuzano, do Boca Juniors. Ele acredita que o novo coronavírus está sendo supervalorizado e que não há razão para não prosseguir jogando futebol. "Neste momento, há muito mais gente que morre de fome ou por causa da violência, ou porque está vivendo nas ruas, do que por causa de um vírus", disse o jogador após a goleada de seu time sobre o Godoy Cruz.

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