Darren Staples/Reuters
Darren Staples/Reuters

Pussy Riot dizem ter organizado invasão de campo na final da Copa

Ato ocorreu no início do segundo tempo e tinha com o objetivo protestar contra Vladimir Putin

Jamil Chade, enviado especial/Moscou, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 13h36

A final da Copa do Mundo da Rússia, em Moscou, com um amplo esquema de segurança, não conseguiu evitar a invasão de campo por quatro pessoas. Elas vestiam roupas que sugeriam uniformes policiais. Instantes depois, o grupo Pussy Riot declarou nas redes sociais a responsabilidade pelo protesto e pedia que a repressão na Rússia terminasse.   

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O protesto foi um golpe contra as pretensões do presidente Vladimir Putin de mostrar um país onde os questionamentos contra seu governo não existem. 

Assim que conseguiram entrar em campo, os invasores correram para lados opostos do gramado. Mas a TV oficial da Fifa deixou de transmitir as imagens a mais de 1 bilhão de pessoas pelo mundo. É pré-determinado que, quando episódios desse tipo ocorrem, a TV mostre lances da partida.  

Rapidamente, policiais entraram em campo para tentar retirá-los. Pelo menos um deles teve de ser arrastado para fora por três agentes de segurança. O zagueiro croata Lovren ainda derrubou outra manifestante, antes de a polícia chegar. "Olá todos a partir do campo de Luzhniki. É bem legal aqui", escreveu o grupo, nas redes sociais. 

Em uma reivindicação, o grupo faz seis pedidos, entre eles a liberdade de todos os presos políticos, o fim de prisões ilegais em manifestações, permitir uma competição política justa na Rússia e o fim de casos criminosos "fabricados". Com um dos maiores esquemas de segurança criados para um evento esportivo, a Rússia proibiu qualquer tipo de manifestações e passou a censurar até mesmo um protesto silencioso em praças de Moscou. 

O grupo de punk rock feminista russo questiona o estatuto das mulheres na Rússia e voltou a agir durante a campanha eleitoral de Putin. O grupo ganhou uma dimensão internacional quando suas integrantes foram condenadas a dois anos de prisão por "vandalismo" depois de terem invadido uma missa na Catedral de Moscou e protestado. Elas questionavam o uso da Igreja para fazer campanha por Putin. 

A performance foi no dia 21 de fevereiro de 2012. Mas a prisão de três das cinco cantoras ocorreu apenas dez dias depois. Em agosto, duas delas foram condenadas a dois anos de prisão. O grupo Pussy Riot usa métodos inusitados para passar uma mensagem quando acham que a tática convencional não funcionava. Em 2012, o ato de protesto foi uma resposta à iniciativa do patriarca de Moscou de fazer campanha por Vladimir Putin. Certamente os invasores serão presos por tempo indeterminado.

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