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Qual futuro?

São Paulo e Palmeiras são esfinges à espera de que decifrem seu enigma. Ambos entraram em campo, no clássico matinal de ontem, sob desconfiança das respectivas torcidas, e deixaram dúvidas no ar ao voltarem para casa. Os 2 a 0 não jogaram luz sobre a turma verde e mantiveram as sombras tricolores.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2016 | 03h00

O jogo não foi um festival de horrores, tampouco os rivais se encontram em impasse ou à beira do abismo. Mesmo com atenuantes, como a falta de um técnico no Palmeiras e o descanso para vários titulares do São Paulo, o que mostraram no Pacaembu com baixa ocupação expôs as limitações de cada um. E carregam pontos de interrogação a respeito do que podem alcançar na Taça Libertadores.

O São Paulo é quebra-cabeças com monte de peças soltas. Edgardo Bauza afirmou, ao desembarcar no Morumbi, que time vencedor começa por bom sistema defensivo. Tese discutível, mas não indefensável, com o perdão do trocadilho involuntário. Pois bem, passada a primeira dúzia de jogos no ano, não conseguiu estabilizar o setor. A retaguarda continua a sofrer e a dar sustos como nos solavancos de 2015.

Ilusória, ao menos por enquanto, a sensação de evolução. O São Paulo segue a rotina de superar obstáculos frágeis, do calibre de Água Santa, Rio Claro, Novorizontino, Mogi, e se enrosca ao topar com adversários de qualidade. Não precisam nem ser esquadrões; basta que apresentem um pouco de organização para desnortearem a rapaziada sob o comando do argentino.

O São Paulo suou para eliminar o inexpressivo Cesar Vallejo da fase preliminar na Libertadores; foi surpreendido pelo The Strongest aqui, caiu diante do Corinthians e do Palmeiras. Na melhor atuação até o momento, arrancou empate com o River fora de casa. Ou seja, nos testes agudos nega fogo.

O script não se modificou diante do Palmeiras. O público viu o São Paulo tomar iniciativa por 20 e tantos minutos, período em que perambulou pela área de Fernando Prass e teve gol mal anulado. Depois, o gás acabou e retornou ao ramerrão habitual. Quando percebeu que a toada não mudava, Bauza mandou para a luta o trio Ganso, Calleri e Centurión, todos poupados no início, e não houve a mais leve diferença.

O primeiro gol palestrino abalou o pouco de autoestima que o São Paulo acumula. O segundo, então, foi para derrubar de vez, com um foguete de canhota de Robinho nos minutos finais. O moço se especializa em golaços diante dos tricolores – e nem se trata de artilheiro. Vítima antes era Rogério Ceni. Com a aposentadoria do astro, pegou pra Cristo o herdeiro Dênis. O meia está para o São Paulo como Romarinho, até recentemente, estava para o próprio Palmeiras. Não havia jogo do Corinthians em que não deixasse a marca. Curiosidades de botequim...

Quem demonstra não ser paraquedista é Alberto Valentim. O interino outra vez se desvencilhou com dignidade da tarefa. Demorou menos de meia hora para notar as brechas do lado dele e do outro, para apelar para as devidas correções. A principal mexida se concentrou em tornar o time mais compacto, não necessariamente defensivo. Além disso contou com a boa vontade da tropa. Teve gente que correu muito. Vai saber, com novo chefe no pedaço...

A insegurança são-paulina se refletiu no público, que não vaiou só Michel Bastos, o alvo preferido: democraticamente xingou outros menos votados. A nesga de sol, após o 1 a 1 em Buenos Aires, voltou a fechar-se e a virar nuvem densa. No Palmeiras, não é muito diferente: a gangorra permanece. Pra cima, ontem; como será na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu? Que futuro têm alviverdes e tricolores?

Ganhar fôlego. O Corinthians aproveitou-se da nulidade do Botafogo atual e passou como quis, nos 3 a 0 de ontem à tarde, em Ribeirão Preto. Tite recorreu ao mistão, que se desincumbiu da missão com naturalidade, num treino para o duelo com o Cerro. O lado positivo: triangulações e trocas de passe bem feitas.

O Palmeiras ganhou, o São Paulo perdeu outro clássico. E ambos deixam dúvidas no ar.

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