'Quando cheguei ao Ituano, o clube estava zerado', conta o gestor Juninho

Ex-meia e agora dirigente lidera reação da equipe, que disputa a semifinal do Paulistão

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2014 | 05h00

SÂO PAULO - Revelado pelo Ituano como jogador, Juninho Paulista começa a despontar no mesmo clube como dirigente. Sanou as finanças e, como gestor, garante ter resgatado a credibilidade do clube com a ótima campanha no Paulistão, em que o time disputará a semifinal neste domingo, contra o Palmeiras, no Pacaembu.

ESTADO: Como era a situação do clube quando você assumiu o cargo, em 2009?

Juninho: Por conta de parcerias feitas pelo Ituano nos anos anteriores, o clube estava em situação ruim. Quando cheguei, peguei essa transição. O clube estava zerado em todos os sentidos. Só tinha três jogadores registrados e nenhuma estrutura, apenas o estádio. Fui atrás de tudo, de pessoal para trabalhar a formação da equipe, comissão técnica, material esportivo e patrocínio.

ESTADO: Qual é o segredo para montar um elenco que chega tão longe no Paulistão?

Juninho: Uma das tarefas mais trabalhosas é a formação da equipe. Você trabalha com seres humanos, não é ciência exata e você não tem certeza se vai dar certo. No começo, como não tinha nem jogador nem categoria de base, trouxemos atletas novos. No segundo ano comecei um trabalho de base e iniciamos a captação de talentos. A partir de agora só trazemos peças para agregar.

ESTADO: O projeto era levar o Ituano até uma semifinal de Paulistão no prazo de cinco anos?

Juninho: Particularmente, quando comecei o projeto, achei que fôssemos ter boas oportunidades mais cedo. Sempre salientei que o projeto é a médio prazo, mas na prática não é assim. Às vezes equipes sem estrutura fazem campeonatos bons, mas também só ficam nisso e não produzem nada mais. Logicamente, sabia que nos dois primeiros anos seria difícil conseguir algo, só que para o ano passado, eu tinha uma expectativa muito melhor do que o que realmente aconteceu.

ESTADO: Só com planejamentos a longo prazo os times do interior podem começar a se dar bem?

Juninho: Certamente, porque não vejo sinal de mudança na discrepância existente para os grandes no lado financeiro. A diferença gigante de valores de orçamento, patrocínio e cotas de transmissão na televisão nos obriga a gastar menos e conquistar também resultados convincentes. Isso exige planejamento e a base atual tem o papel de nos dar esses resultados.

ESTADO: E como fez para atrair jogadores a assinarem com o clube?

Juninho: A situação está melhor porque nosso trabalho fez o Ituano ganhar credibilidade no mercado e isso entre os jogadores é muito falado. Talvez com essa possibilidade de estrutura, condições de trabalho e profissionais excelentes, alguém que fosse ganhar, por exemplo, 100 em algum lugar, talvez queira vir aqui por 60 ou 70 para uma melhor possibilidade. É essa o moral que o nosso clube esta ganhando ao longo desses anos. Nossas principais dificuldades são financeiras e de calendário, porque só posso oferecer contrato para o jogador até maio, quando termina a competição

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