José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
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Robson Morelli
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Quando não há craques, tudo é gestão no futebol

Corinthians vive problemas administrativos constantes, com direito a contas reprovadas, enquanto soberba do Palmeiras derruba time no Paulista

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2021 | 05h00

Estou cada vez mais convencido de que tudo no futebol passa pela gestão de seus profissionais fora de campo. Quando não se tem um “gênio” no elenco, ou mais de um, a boa administração dita o ritmo dos times numa temporada. Comandar um time não é fácil.

O resultado de campo é a última etapa desse trabalho. Mas nossos gestores, presidentes e diretores insistem em virar a pirâmide de ponta cabeça, apostando tudo no jogo, de modo a entender que, quando a equipe ganha, tudo vai bem, mas quando o time perde, nada está certo. É do céu ao inferno.

Esta cultura foi assimilada do roupeiro aos garotos, passando pelo elenco principal, cartolas e torcedores. O resultado deste equívoco é o atual estágio dos clubes, o buraco de suas finanças e o abismo que separa o que se joga no Brasil do que se pratica na Europa. Já ouvimos dizer que não é o mesmo esporte, em uma cruel comparação.

Os 90 minutos devem ser observados também como o resultado de uma gestão que começou lá atrás, ou que nunca existiu. O que os atletas fazem é superar o que não foi planejado.

Vou dar dois exemplos de times de São Paulo, cujas administrações têm falhas, um mais e outro menos. Refiro-me a Corinthians e Palmeiras. Vamos combinar que não há craques nestes elencos. O Palmeiras tem mais bons jogadores. O Corinthians, nem isso.

No caso do clube do Parque São Jorge, o futebol mostrado em campo nada mais é do que uma sucessão de equívocos administrativos de seus comandantes, atuais e do passado, que insistiram em eleições conturbadas e, por vezes, sob o signo da trapaça e traição, como demonstram os capítulos posteriores às aberturas das urnas.

O Corinthians tem deitado em contas reprovadas, disputas internas, bastidores conturbados e promessas de cargos dentro do clube, dinheiro mal empregado em comissões técnicas e em contratações de jogadores, cujos contratos se estendem loucamente e dívidas crescendo por causa do atraso dos boletos mensais. Gestão ruim com “G” maiúsculo. Junta-se a isso pessoas despreparadas e sem carisma para comandar grupos e exercer funções em setores estratégicos, de modo a fazer o time de futebol, na outra ponta, a andar para trás. Há atletas sendo lançados prematuramente. Há veteranos envergonhando seu passado. Há jogadores desmotivados. Há um treinador com a corda no pescoço. Tudo isso resulta, obviamente, em falta de dinheiro e endividamento, além da recusa de conseguir parceiros. Tudo passa a ser feito então no grito, na emoção e na tradição. Em outras palavras, no amadorismo que o futebol não permite mais. Nem no Brasil nem na Europa.

Vai levar tempo para que as estruturas do Corinthians sejam refeitas. Os processos de trabalho precisam ser repensados, com gente mais bem preparada. Em campo, o Corinthians tem boa campanha no Paulistão Sicredi 2021, mas não com bons jogos. Na Sul-Americana, ficou para trás na chave com duas derrotas. Na Copa do Brasil, é um grande ponto de interrogação. E no Brasileirão que vai começar, é inferior a rivais de São Paulo e de fora.

O exemplo negativo do Palmeiras é de soberba, confusão e falta de transparência no que diz respeito às suas escolhas, como jogar o Paulistão e não confessar o fracasso que será se não se classificar. Papelão. Não houve planejamento para as competições porque tinham férias no meio do caminho. Não houve estratégia. Foi jogando e se deu mal nas disputas de taças e no Estadual. Não era para ser assim se tivesse tido mais trabalho, de todos, mas principalmente da comissão técnica. É também resquício de má gestão.

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